Ramaphosa eleito presidente da África do Sul

Conheça o perfil de um homem que foi sindicalista e agora chegou a chefe dos destinos de um país que tem muitos emigrantes madeirenses

15 Fev 2018 / 13:27 H.

O Parlamento sul-africano elegeu hoje Cyril Ramaphosa como Presidente da África do Sul, após a demissão de Jacob Zuma, numa sessão sem a presença de dois dos principais partidos da oposição.

Ramaphosa, líder do Congresso Nacional Africano (ANC, no poder desde 1994) e vice-presidente da África do Sul até quarta-feira, foi empossado pelo presidente do tribunal Constitucional sul-africano, Mogoeng Mogoeng, numa sessão extraordinária do Parlamento.

O novo Presidente da África do Sul, o quinto desde que o ANC chegou ao poder, era o único candidato à sucessão de Zuma, depois de dois partidos da oposição terem indicado que não participariam na sessão.

Desde 1994 que o ANC tem obtido a maioria absoluta no Parlamento, tendo sido presidido sucessivamente por Nelson Mandela (maio de 1994 a junho de 1999), Thabo Mbeki (junho de 1999 a setembro de 2008), Kgalema Motlanthe (interino, setembro de 2008 a maio de 2009) e Jacob Zuma (maio de 2009 a fevereiro de 2018).

Cyril Ramaphosa, de sindicalista a Presidente da África do Sul

O líder do ANC, Cyril Ramaphosa, é, desde quarta-feira, o Presidente da África do Sul, depois de um percurso político que começou como dirigente sindical, tendo agora a ambição de se tornar chefe de Estado nas eleições de 2019.

Matamela Cyril Ramaphosa, 65 anos, natural do Soweto (arredores de Joanesburgo), onde nasceu a 17 de novembro de 1952, sucede a Jacob Zuma, forçado quarta-feira a demitir-se, e foi eleito em dezembro último presidente do Congresso Nacional Africano (ANC, no poder desde 1994).

Vice-presidente de Zuma desde 25 de maio de 2014, Ramaphosa aproveitou a “margem de manobra” dada pelo agora ex-presidente, acusado de vários atos de corrupção, lavagem de capitais e de subornos, para, na campanha para a liderança do ANC, aplicar uma estratégia de combate aos atos ilícitos.

Esta era a óbvia forma de voltar a convencer o tradicional eleitorado do partido, já muito descontente com o regime de Zuma, para evitar o que seria uma derrota humilhante do ANC nas eleições presidenciais de 2019, devendo, para tal, aproveitar o pouco mais de um ano para recuperar a credibilidade.

Desde que o ANC conquistou o poder, em 1994, Ramaphosa torna-se no quinto presidente da África do Sul, depois do “histórico” Nelson Mandela (maio de 1994 a junho de 1999), de Thabo Mbeki (junho de 1999 a setembro de 2008), de Kgalema Motlanthe (interino, setembro de 2008 a maio de 2009) e de Jacob Zuma (maio de 2009 a fevereiro de 2019).

De líder sindical, ainda nos tempos do sistema de segregação racial (”apartheid”) que vigorou até 1991 e que lhe valeu a atribuição do Prémio Olof Palme em 1987), a empresário (em 2007 surgiu na revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do ano no mundo), Ramaphosa tem agora o caminho livre para se tornar presidente efetivo da África do Sul.

Ramaphosa tem agora inúmeros desafios pela frente, sobretudo o de levantar um país economicamente debilitado.

Mas, antes, se quiser ser eleito, terá de voltar a ganhar a confiança do eleitorado do ANC, profundamente descrente depois de sete anos de Presidência de Zuma, nas eleições de 2019, se, entretanto, se cumprirem os prazos constitucionais.

Quase 25 anos após o fim do “apartheid”, e com a “maioria negra” agastada, a África do Sul continua a constituir um país com enormes recursos e grandes riquezas no subsolo, mas também ampliou o fosso das desigualdades e aumentou a pobreza.

Apesar de os sucessivos governos do ANC terem feito grandes esforços na construção de habitações e em muitas áreas económicas, há ainda muita desilusão entre a população, algo que Ramaphosa disse reconhecer como “grave”.

Milhares de pessoas ainda vivem sem eletricidade e sem instalações sanitárias, as escolas e hospitais são frequentemente rudimentares e uma recente sondagem deu conta de que oito em cada 10 crianças são iliteradas, além da já tradicionalmente elevada criminalidade violenta.