Moscovo dá 1 mês ao Reino Unido para reduzir número de funcionários na Rússia
Londres diz que decisão da Rússia “é lamentável” mas já era esperada
O Governo da Rússia anunciou hoje que deu ao Reino Unido um mês para reduzir os funcionários para um número igual ao de representantes russos na embaixada em Londres, no seguimento do caso Skripal.
“O lado britânico deve, dentro de um mês, através de uma redução apropriada do seu pessoal, baixar o número total dos seus empregados na embaixada britânica em Moscovo e dos consulados britânicos na Rússia para o mesmo número de diplomatas, pessoal técnico e administrativos russos que fiquem no Reino Unido”, lê-se num comunicado divulgado hoje.
O comunicado citado pela AFP hoje divulgado é o último passo da guerra diplomática entre a Rússia e vários países originada pelo envenenamento do antigo espião russo.
O ex-espião duplo de origem russa Serguei Skripal, de 66 anos, e a sua filha Yulia, de 33 anos, foram encontrados inconscientes a 4 de Março em Salisbury, no sul de Inglaterra, após terem sido envenenados com um componente químico que ataca o sistema nervoso.
O Reino Unido atribuiu o envenenamento à Rússia, que tem desmentido todas as acusações e exigido provas concretas sobre esta alegação.
Em 14 de Março, Londres anunciou a expulsão de 23 diplomatas russos do território britânico e o congelamento das relações bilaterais, ao que Moscovo respondeu expulsando 23 diplomatas britânicos e suspendendo a actividade do British Council na Rússia.
O Governo britânico considerou hoje que a decisão da Rússia de equiparar o número de diplomatas britânicos em Moscovo ao número dos russos expulsos de Londres “é lamentável”, mas já era um desenvolvimento esperado.
“É lamentável, mas à luz do comportamento anterior da Rússia, já antecipávamos uma resposta”, comentou uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, citada pela AP.
“No entanto, isto não muda os fatos em causa: a tentativa de homicídio de duas pessoas em solo britânico, para a qual não há uma conclusão alternativa que não seja a de que a Rússia era culpada”, acrescentou a porta-voz.
“A Rússia está em flagrante violação da lei internacional e da Convenção sobre Armas Químicas e as acções dos países em todo o mundo demonstraram a profundidade das preocupações internacionais”, vincou a responsável.
A escalada de tensão entre a Rússia e o Reino Unido não tem paralelo, mesmo no pico da Guerra Fria, segundo a AP.