Mais de 50 palestinianos feridos por soldados israelitas em protestos

29 Dez 2017 / 16:51 H.

Cinquenta e seis palestinianos foram hoje feridos a tiro por soldados israelitas em novas manifestações contra a decisão norte-americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, indicaram fontes médicas.

Confrontos em diversas zonas da faixa de Gaza junto à fronteira com Israel causaram 40 feridos por tiros de balas reais, quatro dos quais em estado grave, disse Achraf al-Qodra, porta-voz do Ministério da Saúde do governo do movimento radical islâmico Hamas, que controla o enclave palestiniano.

O Hamas e o seu aliado Jihad Islâmica tinham apelado a mais um “dia de cólera” para hoje contra a decisão sobre Jerusalém do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na Cisjordânia ocupada, os confrontos causaram 16 feridos, seis dos quais por tiros de balas reais e os restantes por disparos de balas de borracha, segundo o Ministério da Saúde do governo da Autoridade Palestiniana.

Interrogada pela agência France Presse, uma porta-voz militar israelita disse que 500 manifestantes tinham incendiado pneus, lançado “cocktails molotov” e pedras contra soldados e guardas fronteiriços em cerca de 30 locais da Cisjordânia, enquanto na faixa de Gaza foram à volta de 2.000 os participantes nos protestos.

“Os soldados dispararam na direção de quatro líderes que foram atingidos”, adiantou, sem dar mais pormenores.

O exército israelita também realizou hoje ataques aéreos à faixa de Gaza em resposta a tiros de mísseis a partir do território palestiniano contra o sul de Israel.

Desde o passado dia 6, quando Trump anunciou o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, foram efetuados 17 disparos de mísseis a partir da faixa de Gaza contra o sul de Israel, que não causaram vítimas, segundo o exército israelita.

Nas manifestações contra a decisão na faixa de Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém foram mortos 12 palestinianos e centenas ficaram feridos, enquanto dezenas foram detidos.

A questão de Jerusalém é uma das mais delicadas do conflito israelo-palestiniano.

Israel ocupa Jerusalém oriental desde 1967 e declarou, em 1980, toda a cidade como a sua capital indivisa, o que não é reconhecido pelo direito internacional e pela generalidade da comunidade internacional.

Os palestinianos pretendem fazer de Jerusalém oriental a capital de um futuro Estado palestiniano.