Crianças alertaram os automobilistas para a segurança na estrada

A iniciativa aconteceu esta manhã na Avenida do Mar

13 Dez 2017 / 13:22 H.

Os condutores que circularam esta manhã na Avenida do Mar, no Funchal, foram surpreendidos com uma ‘Operação Stop’ diferente do habitual, protagonizada por crianças de quatro estabelecimentos de ensino. Vestidas a rigor, as crianças de diversas idades, vestiram não só o colete reflector da PSP, como encarnaram a ‘autoridade’ para sensibilizar os condutores sobre as questões de segurança em termos de álcool, excesso de velocidade e cinto de segurança.

Entre as 10 e as 11 horas, vários alunos do Colégio Infante D. Henrique, da Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclos de Santo António, da Unidade especializada da Escola Básica e Secundária de Santa Cruz e do Colégio do Marítimo, foram polícias por uma hora, tarefa que muito contribuiu para o enriquecimento pessoal de cada um, numa acção social importante, tendo em conta o bem-estar de todos os que andam nas estradas da Madeira.

Abel gostou de ser polícia por uns momentos. O jovem de oito anos, estudante do Colégio do Marítimo, alertou os condutores para a importância do uso do cinto de segurança no carro, “mesmo se estivermos a dormir”, para não beber bebidas alcoólicas nem andar depressa. “Não faço birras para colocar o cinto, a minha irmã que tem quatro anos é que faz”, diz meio envergonhado, depois de ter estado com um agente da PSP a falar com os condutores. “Não me importava que ela andasse sem cinto, mas agora vou chamar a atenção”, disse Abel que gostou muito da experiência “divertida, com polícias simpáticos”.

O mesmo aconteceu com a colega Clara Silva, que achou divertida a aventura de ser polícia. “É a primeira vez que faço isto e não me importava de repetir”, disse a jovem depois de ter alertado uma senhora condutora para não consumir álcool enquanto estiver a conduzir e para “andar mais devagar e colocar sempre o cinto de segurança”.

Mais à frente, Marta Sá, da Escola de Santo António, tinha acabado a sua tarefa. “Falei com um senhor muito simpático que ouviu o que eu disse e prometeu que ia respeitar as regras de segurança, os sinais de trânsito e a velocidade”. Sem saber muito bem todas as regras, a estudante de 12 anos disse ter aprendido na escola e em casa as mais importantes que passam por “atravessar nas passadeiras quando o sinal estiver verde e colocar sempre o cinto de segurança”.

A diversão tomou conta das crianças que, juntamente com os agentes da PSP, sensibilizaram os condutores para um conjunto de actividades e cuidados a ter no trânsito durante esta época natalícia.

Uma acção denominada ‘Acidentes nenhuns, presentes todos’, que faz parte do Plano Regional de Educação Rodoviária, levada a cabo pela Secretaria Regional da Educação, através da Direcção Regional. No entender do director Marco Gomes, esta acção de sensibilização acontece no momento certo, em plena quadra festiva, onde os excessos são fáceis de acontecer e pretende sensibilizar os condutores e a comunidade em geral para “a necessidade de termos medidas de segurança e de protecção no que diz respeito às viaturas e aos peões”, de forma a que os mais velhos aprendam com o exemplo das crianças e possam assim alterar alguns comportamentos de risco.

“Muitas vezes as crianças são as promotoras da mudança e quando alertam são muitas vezes ouvidas, daí este processo altamente pedagógico que permite que sejam protagonistas do processo de aprendizagem e tenham depois oportunidades para transmitir o que aprenderam”, refere o director regional da Educação que se congratula com o número de crianças envolvidas no projecto. “Participam cerca de 90 escolas da região, num total de 11 mil alunos participantes nesta actividade que é coordenada pela Secretaria da Educação ao longo do ano, de forma a permitir uma eficaz prevenção rodoviária.

Miguel Nunes, piloto madeirense de Ralis, é um dos parceiros desta actividade e esteve presente para desmistificar a ideia de que um piloto de ralis está constantemente a andar depressa e não cumpre com o código de estrada. “A verdade é que gosto de andar depressa no sítio certo, devidamente autorizado, mas depois, no dia-a-dia gosto de ser um condutor cumpridor”, ou seja, andar dentro dos limites de velocidade e nunca conduzir sob o efeito do álcool.

Para o chefe da PSP Luís Telo, esta acção é mais uma oportunidade de colaborar na educação rodoviária que acaba por se reflectir na prevenção rodoviária, com “as crianças a serem os próprios agentes da PSP dentro dos carros familiares a pedirem aos irmãos para colocarem os cintos ou a sugerirem aos pais para andarem mais devagar”.

No entender de Luís Telo, “ao passarmos esta mensagem, estamos a tentar fazer com que todas as pessoas percebam que têm de agir de forma segura, sem terem necessidade de fugir das operações STOP efectuadas pela polícia, porque cada um tem de ser responsável por si e pelos seus, e não porque a polícia pode aparecer”, refere, alertando para o facto de o álcool estar na origem da grande sinistralidade rodoviária. “Os dados da autoridade nacional de segurança rodoviária para este ano, no mês de Outubro, apontam para um acréscimo de 17% de mortalidade em relação a 2016, com a contagem a fixar-se, para já, nos 378 mortos.

Daí que a mensagem da PSP, para esta quadra de Natal seja clara: “378 mortos equivalem à queda de dois aviões de médio curso. Se isso acontecesse em Portugal seria uma grande tragédia, mas como as mortes são a avulso, vão acontecendo aos poucos, as pessoas esquecem e acham que isto acontece aos outros, não podendo estar à espera de uma ‘Operação Stop’ para colocar o cinto na criança ou para ingerir menos álcool”.

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