Suspensão de voos para a Venezuela custa 10 milhões de euros à TAP

20 Fev 2020 / 15:37 H.

O presidente executivo (CEO) da TAP, Antonoaldo Neves, disse hoje que a suspensão de voos para a Venezuela durante 90 dias vai custar à companhia 10 milhões de euros em prejuízos directos.

“Temos um potencial de 10 milhões de euros de prejuízo por conta dessa decisão. Eu quero saber quem vai pagar essa conta”, disse o responsável, que falava na conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2019 da companhia aérea, em Lisboa.

Em causa está uma decisão do Governo venezuelano de suspender os voos da TAP para aquele país durante 90 dias, acusando a companhia de ter permitido o transporte de explosivos e de ter ocultado a identidade de Juan Guaidó num voo de Lisboa para Caracas.

O CEO da TAP clarificou que os 10 milhões de euros se referem a prejuízos directos, devido à suspensão dos dois voos semanais que a TAP tem para a Venezuela, durante 90 dias, acrescentando que não sabe dimensionar o valor dos prejuízos indirectos.

“A bom rigor, nós fomos suspensos por 90 dias sem nenhuma justificação plausível. Mesmo porque quem faz o raio-x não é a TAP, quem faz a inspecção das bagagens não é a TAP [...] É cómico, mas é trágico, porque são 10 milhões de euros”, disse Antonoaldo Neves.

Garantindo que a TAP “cumpre rigorosamente” os procedimentos, o responsável lamentou a decisão, que considerou um “vexame” (a expressão em português do Brasil para “vergonha”) para Portugal.

TAP “não comenta política remuneração da empresa”

O presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves, escusou-se a fazer comentários sobre a atribuição de prémios a alguns trabalhadores depois de prejuízos de 105,6 milhões de euros em 2019, dizendo que “não comenta política de remuneração da empresa”.

“A Comissão Executiva não comenta política de remuneração da empresa. A Comissão Executiva também não comenta declarações de outras pessoas”, afirmou o presidente executivo (CEO) da transportadora aérea, referindo-se às declarações do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que considerou “inaceitável” o pagamento de prémios a alguns trabalhadores depois dos prejuízos verificados no ano passado.

Antonoaldo Neves falava em Lisboa, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2019 do Grupo TAP, que registou prejuízos de 105,6 milhões de euros em 2019, uma melhoria de 12,4 milhões de euros face às perdas de 118 milhões registadas em 2018.

De acordo com o comunicado da TAP SGPS, que engloba todas as empresas do grupo, enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), “o processo que envolve a gestão da entrada das 30 aeronaves e a saída de 18 antigas teve um impacto negativo financeiro de 55 milhões de euros no resultado do ano”.

A empresa liderada por Antonoaldo Neves refere ainda que em 2019 “foi penalizada entre 30 milhões de euros a 35 milhões de euros em resultado da ineficácia da infraestrutura”, referindo-se à “falta de investimento na capacidade do aeroporto de Lisboa” e ao “congestionamento do espaço aéreo”.

Na quarta-feira, um dia antes do anúncio dos resultados da TAP, o Governo considerou “inaceitável” que a TAP, empresa que “tem 100 milhões de euros de prejuízos” em 2019, atribua prémios a uma minoria de trabalhadores, ressalvando que a decisão não é da administração, mas da gestão privada.

“É uma falta de respeito para com a esmagadora maioria dos trabalhadores da TAP e para com os portugueses”, avançou o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, em resposta ao deputado do PS Hugo Costa que questionou se é moralmente aceitável a atribuição de prémios na TAP, face aos prejuízos da empresa.

Numa audição parlamentar na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, o ministro disse que os prejuízos na TAP são “uma matéria que preocupa” o Governo, defendendo que o processo de reversão da privatização da companhia aérea de bandeira portuguesa foi “importante”, mas “se deve contar pelos dedos de uma mão os anos em que não deu prejuízo”.