Ministro das Finanças diz que país “nunca esteve tão bem preparado”

25 Mar 2020 / 17:21 H.

O ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno, afirmou hoje que o país “nunca esteve tão bem preparado” para enfrentar uma crise como a causada pela covid-19, mas não esclareceu se estará a caminho uma nova vaga de austeridade.

“O país nunca esteve tão bem preparado para uma crise como esta”, disse Mário Centeno em conferência de imprensa realizada por vídeo, acrescentando que o Governo fará tudo para “restaurar a confiança e regressar à normalidade”.

Na ronda de perguntas, questionado sobre se a crise económica causada pela pandemia de covid-19 trará uma nova vaga de austeridade ao país, Mário Centeno não respondeu diretamente.

“A natureza desta crise é essencialmente muito diversa daquelas que desencadearam as crises de 2008 e 2009, e as subsequentes crises em alguns países, mais profunda, a partir de 2010, 2011”, respondeu, acrescentando que não se trata de uma crise “estrutural” ou que “resulte de desequilíbrios macroeconómicos que devam ser corrigidos”.

Numa conferência de imprensa convocada tendo como ‘pano de fundo’ a divulgação da informação, hoje, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), de que o país registou um saldo orçamental positivo de 0,2% do PIB em 2019, correspondente a 403,9 milhões de euros, foi o ano de 2020 que acabou por concentrar as atenções dos jornalistas e do ministro.

“Os cenários que temos pela frente são cenários de paragem temporária, de uma dimensão muito substancial, do nosso tecido económico. Isso levará a uma redução muito acentuada da atividade económica no segundo trimestre de 2020, e nos cenários em que estamos a trabalhar, numa recuperação no sentido da normalidade no resto do ano”, reconheceu o também presidente do Eurogrupo (grupo de ministros das Finanças da zona euro).

Mário Centeno admitiu ainda o cenário de recessão e de uma deterioração do saldo orçamental em 2020 em várias décimas do Produto Interno Bruto (PIB).

“Nesses cenários base estamos sempre a falar num cenário de recessão, no conjunto do ano, tal como se coloca neste momento, para a generalidade dos países”, disse o ministro, estimando que quanto mais tempo levar a retoma da normalidade, maior será a quebra económica.

Mário Centeno reconheceu que a “paragem súbita da atividade económica” terá “um impacto nas contas públicas, que será a função da dimensão da recessão económica no funcionamento dos estabilizadores automáticos”, que o Governo deixará funcionar “livremente”, e ainda “do reforço do apoio social e dos serviços de saúde”.

“É cedo para construir cenários numericamente detalhados, mas estaremos obviamente a falar de números que podem facilmente fazer com que o saldo orçamental em 2020 se venha a deteriorar em alguns pontos percentuais do PIB”, disse Mário Centeno.

Segundo o ministro, Portugal “tem uma base económica sólida” para retomar a atividade económica.

“Tal como o esforço que fizemos para chegar a 2019 com o primeiro resultado positivo nas contas públicas, são as mesmas forças que temos que apelar para que após debelar a crise sanitária retomemos as nossas atividades produtivas”, prosseguiu.

O governante com a pasta das Finanças apelou ainda para o esforço de “todos os agentes económicos portugueses”, como o Estado, os trabalhadores, as empresas, e as famílias.

Mário Centeno disse ainda que o Governo manterá o programa de financiamento desenhado para o país atualmente em curso, mas referiu que podem ser feitas “as adaptações necessárias” face aos desenvolvimentos recentes da crise.

As Administrações Públicas registaram um excedente de 0,2% do PIB em 2019, em contabilidade nacional, correspondente a 403,9 milhões de euros, o primeiro saldo orçamental positivo desde 1973, divulgou hoje o INE.

“Esta evolução positiva resultou de um acréscimo mais expressivo na receita (+3,8%) do que na despesa (+2,3%). O saldo primário, correspondente ao saldo global líquido da despesa em juros, registou um aumento de 789 milhões de euros face ao ano anterior, atingindo perto de 6,8 mil milhões de euros”, segundo uma nota do INE sobre os Principais Agregados das AP, divulgada hoje.