Talibãs chegam a Cabul para monitorizar libertação de prisioneiros

31 Mar 2020 / 16:03 H.

Uma equipa técnica de três elementos talibãs chegou hoje à capital do Afeganistão para monitorizar a libertação de prisioneiros que faz parte de um acordo de paz entre o movimento de insurgentes e os EUA.

O porta-voz dos talibãs Zabihullah Mujahid confirmou a chegada da equipa de técnicos, que assinala a primeira vez que uma delegação do movimento de insurgentes se deslocou a Cabul, desde que o grupo foi expulso pela coligação internacional liderada pelos EUA, em 2001.

O Governo afegão não comentou a chegada dos responsáveis talibãs, mas na segunda-feira Jawed Faisal, porta-voz do escritório do Conselheiro de Segurança Nacional do Afeganistão, disse que as autoridades afegãs e os talibãs tinham concordado que o grupo insurgente deveria enviar uma equipa técnica a Cabul para discutir a libertação de prisioneiros.

O Comité Internacional da Cruz Vermelha concordou em ajudar a equipa talibã a chegar a Cabul.

A libertação de prisioneiros faz parte de um acordo de paz assinado em fevereiro entre os talibãs e os Estados Unidos, que incluía a libertação de 5.000 prisioneiros talibãs e a libertação de 1.000 prisioneiros associados ao Governo e às tropas governamentais do Afeganistão.

O Presidente afegão, Ashraf Ghani, e o líder da oposição, Abdullah Abdullah, declararam-se ambos legítimos chefes de Estado, em cerimónias de tomada de posse paralelas, no início de março.

Os dois líderes continuam em conflito numa luta pelo poder que levou os Estados Unidos a dizer que cortaria o apoio financeiro ao Afeganistão se não chegassem ambos a um entendimento.

A turbulência política no Afeganistão e a rivalidade entre Ghani e Abdullah dificultaram as negociações de paz com os talibãs, que se deveriam seguir ao acordo entre os Estados Unidos e o movimento insurgente.

Esse acordo de paz exige a eventual retirada de todos os 13.000 soldados dos EUA do Afeganistão em troca de garantias dos talibãs de que combaterão outros grupos armados, incluindo o movimento fundamentalista do Estado Islâmico.