Representantes dos ‘Coletes Amarelos’ das principais cidades querem reunião com Governo francês

10 Fev 2019 / 16:25 H.

Representantes eleitos das principais cidades francesas pediram hoje uma “reunião de emergência” com o Governo, para negociar os termos de indemnizações pelos prejuízos causados após 13 semanas de manifestações dos “coletes amarelos”.

Em comunicado, citado pela Agência France Presse (AFP), a associação França Urbana, que reúne representantes eleitos das grandes cidades e metrópoles, referiu que moradores e comerciantes “são tomados como reféns pelos bandidos” e as perdas são na ordem de “vários milhões de euros”, em cidades como Bordeaux, Paris, Rennes ou Toulouse.

Neste sentido, a associação quer reunir-se com “o primeiro-ministro [Édouard Philippe], o ministro da Economia [Bruno le Maire] e com a ministra da Coesão Territorial [Jacqueline Gourault]”, para “definir as modalidades de indemnização e acompanhamento, em nome da solidariedade nacional”.

A associação França Urbana notou, ainda, que as manifestações dos “coletes amarelos” têm provocado a degradação da propriedade pública e, nas empresas, a perda de receitas e de empregos.

Segundo a Procos, federação do comércio especializado, em Novembro e Dezembro de 2018, a facturação do comércio francês cedeu, respectivamente, 6,8% e 3,9%, face ao mesmo período do ano anterior.

Os “coletes amarelos” do sudeste da França iniciam hoje uma “marcha pacífica” até Paris, onde esperam reunir-se com manifestantes de outras partes do país para exigir a realização de um referendo de iniciativa cidadã (RIC) “sem restrições”.

Os primeiros passos são dados hoje em Boulou, junto à fronteira com Espanha, por cinco ou seis membros do movimento “coletes amarelos”, enquanto no dia 16 sairá um segundo grupo de Marselha, estando prevista a chegada das duas colunas à capital francesa no dia 17 de Março.

“Estamos em contacto com outros grupos de ‘coletes amarelos’ que sairão da Bretanha (noroeste), Dunquerque (norte), Bordéus (sudoeste) ou Estrasburgo (leste) para que se juntem a nós na capital. Queremos um RIC sem restrições, lutamos pela justiça fiscal e social, pela ecologia e apoiamos manifestantes que sejam vítimas de violência policial e decisões judiciais abusivas”, disse sexta-feira Sarah Chabut, membro do movimento, em Gard, no sul.

O designado movimento dos “coletes amarelos”, do qual há já pelo menos duas listas às eleições para o Parlamento Europeu, surgiu em França em novembro para contestar o aumento do preço dos combustíveis e a perda de poder de compra dos franceses, alargando-se depois a outras questões.

Desde 17 de novembro, milhares de pessoas têm-se manifestado todos os sábados envergando coletes reflectores de segurança rodoviária.

Algumas dessas manifestações degeneraram em violência, com automóveis e contentores de lixo incendiados e confrontos com as forças policiais, provocando pelo menos dez mortos e milhares de feridos.