Interpol desloca equipa de investigadores para ajudar autoridades locais no Sri Lanka

22 Abr 2019 / 15:37 H.

A Interpol deslocou uma equipa de investigadores para o Sri Lanka com o objetivo de ajudar as autoridades locais no âmbito dos atentados suicidas que provocaram 290 mortos no domingo, anunciou hoje a organização policial internacional.

“Deslocada a pedido das autoridades do Sri Lanka, a célula de crise da Interpol (IRT) inclui especialistas em investigação de cenas de crime, explosivos e antiterrorismo, bem como especialistas na análise e identificação de vítimas de catástrofes”, referiu num comunicado a Interpol, cuja sede fica em Lyon, na França.

“Se necessário, especialistas adicionais no campo da medicina digital forense, biometria e análise de vídeo e foto podem ser adicionados a essa equipa no local”, referiu a nota.

As investigações já estão em andamento através do banco de dados nominais da organização e sobre documentos de viagem roubados e perdidos para identificar “pistas investigativas potenciais de conexões internacionais”.

Além do apoio da unidade IRT, o apoio já estava a ser fornecido pelo Centro de Comando e Coordenação da Interpol de suas três unidades de operação em Lyon, Singapura e Buenos Aires.

Estas ações vão permitir, o mais rapidamente possível, o intercâmbio de informações sobre a identidade das vítimas estrangeiras dos ataques com os escritórios da Interpol dos países em causa.

“As famílias e os amigos das vítimas desses ataques, como em qualquer ataque terrorista, precisam do apoio total da comunidade das forças de segurança e merecem-no”, disse o secretário-geral da Interpol, Jürgen Stock, citado no comunicado de imprensa.

Hoje, o porta-voz do Governo do Sri Lanka, Rajitha Senaratne, identificou o movimento islâmico local National Thowfeek Jamaath (NTJ) como o promotor dos ataques suicidas.

“Estamos a investigar uma possível ajuda externa (ao grupo) e as suas outras ligações, como treinam bombistas suicidas, como produziram essas bombas”, acrescentou.

O NTJ foi objeto há dez dias de um alerta difundido aos serviços da polícia, no qual o movimento estava a planear ataques em Colombo contra igrejas e a embaixada indiana.

As oito explosões de domingo mataram, pelo menos, 290 pessoas, entre as quais um português residente em Viseu, e provocaram 500 feridos.

A capital do país, Colombo, foi alvo de pelo menos cinco explosões: em quatro hotéis de luxo e uma igreja.

Duas outras igrejas foram também alvo de explosões, uma em Negombo, a norte da capital e onde há uma forte presença católica, e outra no leste do país.

A oitava e última explosão teve lugar num complexo de vivendas na zona de Dermatagoda.

As primeiras seis explosões ocorreram “quase em simultâneo”, pelas 08:45 de domingo (03:15 em Portugal), de acordo com fontes policiais citadas por agências internacionais.

O número de pessoas detidas relacionadas com os ataques, que não foram ainda reivindicados, também aumentou de 13 para 24, disse à agência de notícias francesa France-Presse (AFP) o porta-voz da polícia Ruwan Gunasekera.

A polícia também informou hoje que uma bomba artesanal foi descoberta e desativada no domingo, perto do principal aeroporto de Colombo.