França vai pedir aos eurodeputados do Ciudadanos que esclareçam se pretendem colaborar com o Vox

17 Jun 2019 / 00:12 H.

A secretária de Estado dos Assuntos Europeus de França, Amélie de Montchalin, disse hoje que vão pedir aos eurodeputados do Ciudadanos (Cs) que esclareçam se continuam a ser membros deste partido liberal espanhol e se pretendem colaborar com a ultradireita do Vox.

Em entrevista à emissora “France Inter”, De Montchalin reiterou que o partido do Presidente Francês, Emmanuel Macron, “não transigirá” com qualquer acordo com a extrema-direita.

“Vamos pedir aos eurodeputados do nosso grupo [Renew Europe] muitos esclarecimentos sobre se apoiam ou não o que está a acontecer no seu país e, em função disso, extrairemos conclusões. É necessário perguntar-lhes de novo se continuam a ser membros do seu partido, ou não”, acrescentou.

“Há muita gente, pelo que tenho lido na imprensa espanhola, que considera que o Cs, em relação ao que era no início, está agora muito longe do espírito com que foi fundado, que era um pouco como o Em Marcha [o movimento de Macron], que pretendia romper a dinâmica esquerda-direita”, prosseguiu De Montchalin.

Ao ser questionada se estas exigências não implicam uma ingerência nos assuntos internos de outro país, a responsável esclareceu que se refere “apenas ao grupo no Parlamento Europeu” que foi designado como Renew Europe (Renovar a Europa) e cujo principal núcleo são os 21 eurodeputados do Em Marcha.

“Gostaríamos que a nossa carta de valores comuns diga claramente que não apoiamos alianças com gente anti-imigração e neo-franquista, como são os partidos de extrema-direita em Espanha”, disse.

A posição de Amélie De Montchalin junta-se às manifestadas por vários media espanhóis, que admitiram “grande preocupação” face a eventuais acordos com o Vox na formação das câmaras em vários municípios espanhóis.

“Consideramos que a aliança com a extrema-direita como vimos em Espanha não é uma opção”, sublinhou a secretária de Estado dos Assuntos Europeus.

No sábado, o candidato do Partido Popular (PP, direita) José Luis Martínez-Almeida foi eleito presidente da Câmara de Madrid devido a uma coligação com o Cs (direita liberal) e o apoio da extrema-direita do Vox.

Para o partido de Macron e o próprio Palácio do Eliseu, qualquer aliança com o Vox tem sido considerada uma “linha vermelha” no processo de acordos a nível europeu.

O esfriamento das relações com o Cs coincide com um crescente entendimento de Macron com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, com quem pretende firmar um acordo entre liberais e socialistas para a partilha do poder na Europa.

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