Chefes de diplomacia da UE voltam a debater a crise na Venezuela na segunda-feira

15 Fev 2019 / 15:22 H.

Os chefes da diplomacia dos Estados-membros da UE vão voltar a discutir a situação na Venezuela no Conselho de Negócios Estrangeiros de segunda-feira, em Bruxelas, o primeiro desde a reunião inaugural do grupo de contacto internacional, em Montevideu.

De acordo com a agenda do Conselho, a discussão terá lugar durante o almoço de trabalho dos 28 e terá já “em conta os últimos desenvolvimentos e a primeira reunião do grupo de contacto internacional” celebrada em 7 de Fevereiro passado, e na qual Portugal participou, representado pelo ministro Augusto Santos Silva, que estará segunda-feira em Bruxelas.

No final da reunião de Montevideu, Santos Silva considerou que existiram avanços na primeira reunião do grupo, apesar de a Bolívia -- país alinhado com o regime de Nicolás Maduro - não ter subscrito a declaração final e ter emitido a sua própria declaração.

O grupo de contacto -- que voltará a reunir-se no início de Março, em data e local a definir -- integra sete países que reconheceram o opositor Juan Guaidó como presidente interino e o indicado para convocar eleições (Portugal, França, Reino Unido, Alemanha, Espanha Holanda e Suécia). A Itália é o único país europeu que não reconheceu Juan Guaidó.

Na passada quarta-feira, o Presidente venezuelano Nicolas Maduro considerou que a União Europeia tem de rectificar a sua política sobre a Venezuela, porque, argumenta, o bloco europeu associou-se “de forma acrítica” ao “golpismo” fomentado pela administração norte-americana e apenas escuta uma parte do país.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de Janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da UE, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

Na Venezuela residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes.