Tosquias voltaram a animar as Serras do Poiso

O Instituto das Florestas e Conservação da Natureza assinou um contrato-programa com a Associação de Criadores de Gado das Serras do Poiso no valor de 60 mil euros.

25 Jun 2019 / 10:57 H.

As tosquias voltaram este fim-de-semana ao Chão dos Terreiros, no perímetro florestal das Serras do Poiso, numa organização do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM (IFCN), em colaboração com a Associação de Criadores de Gado das Serras do Poiso (ACGSP).

As ovelhas a tosquiar integram os rebanhos desta associação e têm a supervisão do IFCN, que os mantém organizados e disciplinados, definindo as estratégias para a sua manutenção nos prados do Perímetro Florestal das Serras do Poiso.

Neste âmbito, o IFCN e a ACGSP assinaram um contrato-programa no valor de 60 mil euros com vista à boa disciplina da apascentação e manutenção do mosaico florestal das Serras do Poiso.

A tosquia do Chão dos Terreiros envolveu aproximadamente 600 ovelhas de 85 criadores associados da ACGSP e fazem parte de um total de aproximadamente 900 ovelhas, de 120 criadores da ACGSP, sendo que 300 ovelhas, de 35 associados já foram tosquiadas na Ribeira dos Boieiros, também no Perímetro Florestal do Poiso, que se realizaram no dia 10 de Junho. Esta divisão ocorre pelo facto de os animais estarem divididos em dois rebanhos.

De acordo com o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, estes rebanhos são o “corolário do ordenamento do pastoreio que ocorreu no Perímetro Florestal das Serras do Poiso durante os anos 1960 e que se mantêm até aos nossos dias, resultado da disciplina dos rebanhos, que aí são mantidos de forma racional, com a sua condução a ser realizada por pastores, que orientam os animais para aproveitarem os pastos adequadamente, sem deterioração do espaço natural”.

As tosquias que se realizam anualmente, servem para “promover a preservação das tradições madeirenses”, que ainda levam muitas pessoas à serra, sendo uma festa “muito apreciada, quer pelos madeirenses, quer por forasteiros”.

Do programa de festividades constou a chegada do rebanho aos currais, as tosquias propriamente ditas, uma missa campal e animação musical, com as participações da Banda Municipal de Santa Cruz, do Grupo Folclore Santo António da Serra e do ‘Duo Musical Onda Mar’.

O contrato-programa assinado entre estas duas entidades, é necessário para garantir o número de pastores indispensáveis à “exequibilidade e continuidade do ordenamento silvopastoril e que também funcionam como um factor de dissuasão da intervenção humana quando se sabe que a maioria dos fogos florestais tem origem em causas humanas”, revela o IFCN.