JPP manteve contactos com o PSD

Élvio Sousa admitiu “contacto de cordialidade”, mas agora alega que foram só “chamadas telefónicas”

13 Out 2019 / 14:48 H.

“Eu nunca me sentei com nenhum dirigente do PSD antes e depois de 22 de Setembro, e desconheço em absoluto que outro dirigente do JPP o tenha feito à revelia da direcção”.

Foi desta forma que o secretário-geral do JPP, Élvio Sousa, respondeu ao DIÁRIO depois de questionado sobre as datas e intervenientes presentes em eventuais reuniões entre dirigentes do JPP e do PSD.

O envio tardio da resposta não permitiu que a mesma fosse publicada na edição de hoje. Daí que Élvio Sousa optasse por emitir esta tarde um comunicado intitulado ‘Diário de Notícias continua a faltar à verdade!’, acusando este jornal de utilizar “argumentos falsos” e de não nomear “individualmente fontes e provas concretas relativamente à mais recente novela patrocinada por ‘acionistas a soldo’ e por individualidades habituadas a fazer chantagem para ‘chegar ao poleiro’”.

No comunicado insiste em negar que ele próprio ou algum dirigente da cúpula directiva do JPP (em número de 8 elementos) tenha reunido, antes ou depois de 22 de Setembro, com algum dirigente do PSD. “Esta é a verdade”, sublinha.

A garantia contrasta com declarações públicas do próprio Élvio Sousa a este respeito, quatro dias depois das eleições ‘Regionais’, dando conta ter havido “contacto de cordialidade com o PSD”, a par do PS, e que se desconhecem terem sido desmentidas por quem quer que seja. O vídeo em anexo retirado do telejornal da RTP-M é esclarecedor. Contudo, Élvio Sousa pede para que “não se confunda – como se pretende fazer crer – chamadas telefónicas de cordialidade – que as faço para qualquer dirigente político-partidário diversificado, com supostas reuniões/encontros, imagine-se para “minar o acordo de governo” (Sic)”. Ou seja, nega reuniões e cafés com gente do PSD, mas admite contactos telefónicos.

A certeza de Élvio Sousa colide também com a garantia dada ao DIÁRIO por fontes ligadas ao PSD que Tranquada Gomes confidenciou na semana passada pelo menos a três dos seus pares na ALM a existência de um encontro com um dirigente do JPP e que já negou ter acontecido. “Desminto qualquer reunião com o JPP”, afirmou no sábado Tranquada Gomes, apesar de admitir que existiu um telefonema de cerca de 30 segundos, na última segunda-feira, por iniciativa de Élvio Sousa.

O secretário-geral do JPP desafia o DIÁRIO a publicar provas ainda hoje “e depressa, porque, às vezes é preferível admitir o erro, do que constantemente tentar corrigi-lo” e de não ter fonte credível. Também justifica a demora nas respostas às questões por existir “há mais de uma semana, uma situação particular de saúde, que me obriga a estar desconectado, tal como é do conhecimento dos meus próximos”. Mais, refere que “o autêntico e o profissional jornalismo não se faz com suposições, mas com dados e factos concretos, quando se trata de fazer afirmações”, desvalorizando por completo o que revelaram ao DIÁRIO fontes ligadas ao PSD e CDS, enquandrando-as numa “novela, com epicentro no edifício da Alfândega Nova” tendo como especialistas os “esgalgados especialistas em jogadas parlamentares”.