O inimigo invisível

26 Mar 2020 / 02:00 H.

    Saúde não é somente uma palavra que caracteriza a ausência de doença, envolve aspectos mais amplos, como o bem-estar físico, mental e social. Segundo a Constituição, ela é um direito de todos, assim como é também um dever do estado garantir políticas de saúde que visem à redução do risco de doença e promova o acesso universal e igualitário. Fica claro assim, que a promoção da saúde, depende de comportamentos individuais, e também de variáveis de dimensão coletiva, este último, uma questão intimamente relacionada às políticas públicas. Nesse contexto, propiciar às pessoas condições dignas de vida é um fator determinante na prevenção contra a ausência de saúde – o que não significa que devemos esperar somente intervenções externas para que, de facto, conquistemos uma boa saúde.O atual contexto de saúde mundial, despertou na população a relevância da saúde na vida de cada um. Já é ditado antigo, mais vale a saúde acima de tudo, apesar de haver uma camuflada irreverência de que outros objetivos poderiam emergir. No atual cenário de pandemia, a hierarquia é bem evidente, a saúde acima de tudo. A população mundial, hoje reflete num silêncio profundo, a necessidade de combater um vírus, denominado de COVID-19, que ousa em desafiar cada um de nós. Um indesejável e robusto inimigo invisível. Não utiliza o anonimato das redes sociais para atingir o outro, simplesmente, utiliza as bases mais afáveis do ser humano, o contato social, para penetrar no corpo e provocar danos com algum significado. Não escolhe a ideologia clubística, partidária, religiosa ou status moral, seleciona a biologia humana, e silenciosamente atua com total autonomia e arrogância. Nesta fase, a reorganização da sociedade tem o seu valor. A reverência, o respeito, o amor, a saudade, assumem uma nova identidade, o patriotismo envolve o nosso ser profundo para combater a epidemia e revestir de fé a nossa capacidade de trabalho e de dedicação. O devoto terá de ser corajoso, e o orgulho deverá sobrepor à tristeza, para combater nesta guerra biológica com armas adequadas e eficazes. O isolamento social, assume-se como uma medida temporária e estrutural neste combate. A intensificação de higienização das mãos e do mobiliário, que alterou a habitual rotina de todos nós, e que irá perdurar para o futuro, afirmam-se como novas condutas para a socialização. Por cá, no nosso concelho de Machico, estamos a combater esta epidemia com especial relevância, a população e as instituições têm sido cumpridoras e respeitam as orientações das organizações de saúde. O Serviço de Urgência, do Centro de Saúde de Machico, tal como a população, reorganizou-se também, e estabeleceu um circuito UNIDIRECCIONAL com um centro de triagem avançada para combater o Covid-19, assim como também criou uma linha de contacto 24 horas, porque também é importante atender aqueles que alheios a esta pandemia necessitam de cuidados de saúde para as situações que surgem inesperadamente. Habitualmente os nossos antepassados diziam, “quem vai a guerra, dá e leva,” e neste cenário, que é de “guerra biológica” com um microrganismo indesejado, poderemos levar muitas restrições no nosso quotidiano habitual, mas acima de tudo vamos certamente dar um ambiente indesejado para o Covid-19 desvanecer solitariamente da nossa sociedade. A orientação major, é ficar em casa e promover o isolamento social, para que no futuro, possamos soltar o grito de mais uma batalha vencida.

    Norberto Maciel Ribeiro