Porto Santo: uma ilha em transformação pela engenharia
Eis que, chegados ao mês de agosto, mês por excelência das férias, em que muitos escolhem o Porto Santo como destino, vale a pena, entre o sol, a praia, o mar e a languidez dos dias, refletir sobre este pequeno paraíso de 42 km² e sobre as transformações que nele estão a acontecer.
Desde cedo, o Porto Santo foi um território onde a engenharia respondeu à adversidade. A aridez, a escassez de água, os ventos fortes e o isolamento obrigaram a transformar limitações em soluções. Das antigas noras e moinhos às grandes infraestruturas modernas, a ilha foi sendo moldada pelo conhecimento técnico e pela capacidade de fazer melhor.
Essa história está inscrita no cais, no aeroporto, no porto de abrigo, na central térmica e na dessalinizadora, pioneira, na Europa, na osmose inversa em escala industrial. Prossegue hoje com a nova Galeria n.º 5 de captação de água salgada da ARM, que reforçará a adução à dessalinizadora e a resiliência do abastecimento público.
Também na energia, o legado iniciado com o primeiro parque eólico de Portugal, instalado no Porto Santo em 1986, ganha novo impulso com novos aerogeradores, uma central fotovoltaica e armazenamento por baterias. Estes projetos irão alterar a matriz elétrica da ilha: a incorporação renovável, que em 2025 rondou os 10%, poderá atingir entre 60% e 70%, reforçando a autonomia energética e reduzindo a dependência fóssil.
Mais do que instalar turbinas e painéis, trata-se de integrar renováveis num sistema elétrico isolado e exigente. As baterias serão determinantes para armazenar excedentes, reduzir a rejeição de energia renovável, apoiar o controlo de frequência e reforçar a estabilidade da rede, permitindo, em algumas horas do ano, a operação em regime de térmica nula.
No Porto Santo, a engenharia é visível em cada gota de água produzida, em cada quilowatt renovável, em cada arvore reflorestada e em cada infraestrutura que suporta a vida da ilha. Mas é também invisível: está no planeamento, na monitorização, na manutenção e na capacidade de antecipar riscos, compatibilizando turismo, ambiente, segurança energética e qualidade de vida.
Numa nota mais pessoal, confesso-me orgulhosa de contribuir profissionalmente para a transição energética da ilha. Preservar e valorizar este pequeno paraíso atlântico, conciliando desenvolvimento, sustentabilidade e qualidade de vida através da engenharia e da inovação, é a melhor forma de garantir que as futuras gerações o possam desfrutar tão plenamente como nós hoje.
Boas Férias!