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Os idosos merecem mais do que promessas!

Algo que continua a ser ignorado na era digital com a crescente digitalização dos serviços públicos é a literacia digital imprescindível ao exercício dos direitos dos cidadãos e que ostraciza claramente os mais idosos.

Atualmente, para aceder a quaisquer serviços, é necessário preencher formulários online, utilizar autenticação digital, passwords complexas, consultar plataformas eletrónicas ou apresentar documentos que nem sempre são fáceis de obter. Para muitos idosos, estas exigências são uma barreira inultrapassável que os condena a ficar de fora do sistema.

Por outro lado, a Administração Pública peca pelo excesso burocrático, pela duplicação desnecessária de documentos e por exigências sem qualquer sentido e que parecem “encomendadas” para dificultar o acesso a quem mais necessita de apoio.

Seja pelas informações já existirem em sistema, seja pelo simples facto de poderem comprovar determinadas situações através de documentação que não exija deslocações difíceis e onerosas do idoso a determinados serviços públicos com o intuito de obter declarações, comprovativos e certificados que, esses sim, deveriam dispensar a obrigação presencial.

Muitos idosos vivem sozinhos, têm mobilidade reduzida ou dependem de familiares para tratar de assuntos relativamente simples e acessíveis ao cidadão comum. Nem todos os idosos dispõem de acesso digital em casa, automóvel ou smartphone. Exigir processos cada vez mais complexos significa condená-los à pura e simplesmente à exclusão.

Por isso, qualquer proposta política dirigida aos idosos deve simplificar os procedimentos administrativos, reduzir a burocracia e garantir atendimento acessível em todas as freguesias e concelhos da Madeira. O atendimento prioritário aos idosos na segurança social, carece dum certificado, não do simples bom senso de verificar quem não consegue ficar de pé ou horas a fio em múltiplas visitas para tratar de apenas um assunto, porque falta sempre mais um documento! Nem sequer existe um lugar para largada e tomada de passageiros na Segurança Social do Funchal!

É fundamental não apenas investir na literacia digital para os seniores, como também insistir numa verdadeira política de inclusão social, porque uma sociedade só é justa se incluir a participação de todos os seus cidadãos. A tecnologia deve simplificar e alargar o âmbito do serviço público, nunca substituir o seu atendimento nem a atenção personalizada ao cidadão.

Numa Região que tanto apregoa valorizar as suas tradições e o respeito pelos mais velhos, é tempo de transformar os discursos em medidas concretas. Porque cuidar dos idosos não significa apenas anunciar aumentos das prestações sociais, significa garantir o acesso a elas! E isso começa pela construção duma administração pública menos burocratizada, mais atenta às necessidades e lacunas dos cidadãos e verdadeiramente ao serviço de quem mais precisa.

Que este assunto seja olhado com mais carinho e compreensão. Basta colocarmos-nos no lugar do outro!!