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Os idosos, primeiro!

Os últimos censos da Região Autónoma da Madeira mostram um aumento significativo da população idosa, com um índice de envelhecimento de 179 idosos por cada 100 jovens. As previsões é que a tendência para o aumento da população idosa continue, uma vez que a projeção é para que daqui a 30 anos, a Região venha a ter 400 idosos por cada 100 jovens. Face a esta realidade, emerge um cenário preocupante, ao qual está subjacente um desafio crescente para a sociedade em geral e em particular para todos os responsáveis pelos setores ligados à população idosa. Estamos perante um cenário que exige muito trabalho e muita ação (não apenas palavras bonitas!) dos nossos governantes com a tutela das políticas alusivas à população idosa, nomeadamente da área Social e da Saúde. Desde as famílias, às autarquias locais, passando pelo Governo Regional e indo até ao Governo da República, setor público e privados, TODOS têm responsabilidades diretas e indiretas em promover o bem-estar e melhor qualidade de vida a todos aqueles que fazem parte da nossa história, das nossas vidas e que ajudaram a construir o nosso presente! O presente pessoal e individual, bem como o presente coletivo e comum ao Povo Madeirense.

Seguindo uma lógica de que o passado determinou o presente e o presente condiciona o futuro, urge tomar medidas sérias, do ponto vista político e governativo, face às necessidades crescentes da nossa população idosa. Se queremos que os idosos tenham qualidade de vida e um envelhecimento ativo, então que se tome medidas governativas sérias e contínuas! Não basta prometer antes das eleições! Não basta falar em números de idosos apoiados, quando sabemos que muitos e muitos ainda ficaram por apoiar! Não basta dizer que queremos que os idosos fiquem no seu lar, na sua habitação, quando a mesma não tem condições! A verdade é que a maioria dos idosos não têm recursos financeiros para arranjar as suas habitações e muitos deles vivem sós! Não basta dizer que os idosos preferem ficar em casa em vez de ir para um lar, quando não existe um apoio domiciliário capaz de dar resposta a todos os pedidos! Quando faltam muitas ajudantes domiciliárias! Não basta a Secretaria Regional da Inclusão vir “prometer mundos e fundos”, quando na verdade sabe que não vai cumprir as promessas!...

A falta de respostas sociais, nomeadamente em lares e em cuidados continuados, resulta de muitas opções políticas erradas de um Governo Regional PSD, que privilegiou no passado e continua com o mesmo registo, um modelo de governação que favorece grupos/setores restritos, em detrimento do bem-estar da população em geral e em particular da população idosa. A verdade é que, recentemente, foi notícia a redução de centenas de camas para lares e cuidados continuados e a não construção de uma unidade de cuidados continuados em Santa Cruz. O número de pessoas em situação de “alta problemática”, principalmente idosos, mantém-se praticamente o mesmo. Ou seja, na ordem das 230 pessoas. Situação que já levou ao cancelamento de cirurgias por não existirem camas disponíveis para internamento. A taxa de risco de pobreza da Região é bastante alta entre a população idosa e o isolamento de idosos é ainda uma realidade preocupante. Infelizmente, ainda existem idosos que têm de optar entre comprar medicação ou alimentação. Contudo e lamentavelmente, o Governo Regional PSD/CDS prefere continuar a apostar na construção de campos de golfe, fazer obras na marina do lugar de baixo (onde já se esbanjou mais de 100 milhões de euros), construir uma marina para mega iates e continuar a governar para os “grupos elitistas” e sorvedouros de dinheiros públicos (dos contribuintes)!