Incómodos irritantes ou irritações incómodas?
Esta vai ser a quarta tentativa… Tudo o que me sai do teclado vai com força em excesso, como se eu estivesse zangado com o mundo! Que não estou, apesar de todas as circunstâncias… A ver se consigo suavizar e, ao mesmo tempo, fazer algum sentido neste sempre periclitante exercício de gestão de caracteres…
Incomoda-me (para não dizer que me irrita! Já estou a suavizar…) um bocado esta tentativa de viragem permanente do bico ao prego. Uma crise internacional como a que vivemos não será, nunca, boa para a Madeira enquanto destino turístico.
Até podem vir uns grupos de não sei de onde desviados para cá que isso não compensa nem de perto, nem de longe, o que está a acontecer do lado da despesa. E isto é se conseguirem cá aterrar, que nos dias que correm nunca se sabe.
Permitam-me o parêntesis para confessar que isso também me incomoda (“irrita” riscado novamente. Estou a ir bem…). Andarmos há anos a ir na conversa das várias entidades que alijam responsabilidades e continuarmos a mandar clientes para Canárias, sem capacidade de lutar contra os interesses instalados que não permitem que o plano de contingência do aeroporto avance.
Voltando à vaca fria… É assim tão importante para quem assumir que, sobretudo num ambiente de excesso de oferta mais um aumento generalizado do preço dos bens, das matérias-primas, dos serviços contratados e da energia não passará sem dor?
Atenção que esta do excesso de oferta não é seguramente opinião generalizada. É uma constatação minha, que assumo gostava que a Madeira tivesse muito menos camas indiferenciadas e que não acrescentam qualquer valor, em detrimento de um turismo de menor volume e maior qualidade, que até em termos de população activa a trabalhar no sector não teria grande variação.
Dois dias depois do início do ataque ao Irão, os jornais davam conta deste desvio de fluxos turísticos. Gabinetes de imprensa a funcionar, com o tal objectivo que não consigo descortinar mas que, já perceberam, causam incómodo (a irritação foi-se mesmo de vez, acho!). Um mês depois, ninguém se lembra de ir confirmar a veracidade destas notícias, que assim passam a verdadeiras.
Nós, pequenas empresas, continuamos a encolher. Margens, poupanças, capacidade de investimento. As faturas aumentam de valor de forma muito superior à nossa capacidade de gerar maiores receitas. Está tudo mais caro, em alguns casos muito mais caro!
Faço notar que a indústria hoteleira é altamente escrutinada e a relação preço-qualidade tem mesmo de ser levada a sério. Se tentássemos fazer refletir este aumento de custos diretamente no valor de venda não tenho qualquer dúvida de que os níveis de satisfação, que já estão a dar sinais preocupantes, se ressentiriam ainda mais.
Vale que como ninguém estuda isto, não se vê e, cá está, não é notícia. E só para que não achem que estou a ser irritante, convido a que enviem para cá um estudo que seja que analise a satisfação do cliente em relação ao destino ou, por exemplo, ao pagamento de taxas nas levadas, hotéis e rent-a-cars (irra, que são muitas! Isso cá irrita, desculpem lá!). Deste século, vá, que pedir um recente nem vale a pena, até porque não se pagavam tantas taxas…