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O cão mais feio do pedaço

Nos finais do mês de janeiro de 2025, numa ida a Lisboa, tomei mais uma das minhas decisões precipitadas. Mas, neste caso, uma de que não me arrependo: procurei um cão de tamanho o mais pequeno possível para poder tê-lo num apartamento, mas sobretudo que pudesse ser aceite pela família, desabituada a viver com animais.

Em tempo recorde surgiu um Chihuahua preto como carvão, minúsculo. Rapidamente foi necessário dar-lhe um nome para colocar nos documentos e na sua passagem aérea (sem reembolso). Surgiu, assim, o Jimmy Choo, maraca de sapatos de elite, como ele, Jimmito, Jimitito, Jimmycão ou Gordócão, o mais novo elemento da família.

Conforme foi “crescendo” foi acastanhando na zona das bochechas e das patinhas e, em abono da verdade, verificamos que Nosso Senhor quando reuniu com Santo Antão para libertar mais uma remessa de bichinhos para este Planeta cada vez mais bizarro, a beleza já tinha terminado e Jimmy foi se tornando cada vez mais feio. O feio mais lindo do mundo. O meu melhor amigo.

Confesso que aterrei no nosso calhau (com reembolso obtido, sem problemas, nos CTTs), com uma dor de barriga, Na verdade já me estava a preparar para um belo sermão de “São Nuno” à Peixes, de signo, mas, não obstante a típica frase: “Fazes sempre o que queres! Mas, tu ouves alguém?”, “São Nuno” o patriarca da casa, recebeu Jimmy com carinho, ademais sendo o responsável pelo seu sobrepeso, que está mais largo que comprido, dando mimo e até, deixando-o no seu colo, permitindo que ali durma e na sua caminha “envelope”, ao meu lado.

O mesmo se passa com o caçula, Joãozinho, que por estes dias completa 16 anos e perde, definitivamente, o diminutivo, gosta do Gordócão, conforme lhe chama, mas não permite que entre no seu quarto, comando que Jimmy acata temerariamente.

A determinada idade, cerca de oito meses, o cão mais feio, que é lindo, começou a achar que tinha pêlo, não só no corpo, mas na venta e toca de alçar a pernoca, marcando as esquinas da casa. Decidi, juntamento com a sua veterinária, a Carolina, retirar a jóias da coroa, o seu orgulho másculo, ou seja: os tintins. Duzentas e cinquenta gramas de bolas num corpo, à altura, de dois quilos e quinhentas, dez por cento do total do peso corporal, eh… garanhão! Bem, ex-garanhão. Levei os testiculozinhos de Jimmy para casa, dentro dum frasquinho. Os homens não estimaram, vá se lá saber porquê. Passados alguns dias, tive de me desfazer das partes, na sanita num poing poing que foi obr!

Jimmy Choo quase me deu cabo duma carpete com o seu chi-chi de acidez inversamente proporcional ao tamanho. Fica, de manhã, no quentinho, enfiado na sua caminha, mostrando apenas uma patinha quase que a fazer um gesto obsceno a quem tem de sair para trabalhar.

Mas, à noite, quando regressamos a casa, por detrás da porta está Jimmito a ladrar, como se fosse um Rotweiller, à nossa espera, de cauda em hélice, a tornar cada dia neste mundo pouco recomendável um pouco melhor.