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Machico: a nova capitania da Madeira?

Machico poderá assumir-se como uma nova “capitania” não para a colonização, mas para a afirmação do legado turístico da Região

Machico foi a primeira terra dos Descobrimentos Portugueses, local de desembarque e início da povoação da ilha. É também por aqui que hoje entra toda a mercadoria e onde aterra quem chega de avião. A pergunta é se haverá espaço para algo novo?

Machico tem, hoje, condições para voltar a ser uma porta de entrada estratégica na Madeira, não pela história, mas pelo futuro.

Preparam-se investimentos muito relevantes na cidade. Destaca-se a aposta na requalificação do espaço público central, bem como a ligação deste à encosta da Queimada, preparando o território para algo que se sente estar próximo de ancorar na nossa baía. Falo da tão necessária nova marina para mega-iates, como os que ainda há poucos dias nos visitaram. A este projeto poderá somar-se um dos maiores investimentos na requalificação do turismo na Madeira: um ou mais hotéis de elevada qualidade na encosta da Misericórdia, idealmente articulados com a valorização do Forte de São João Baptista, enquanto guardião simbólico e funcional de quem chega por mar à nossa ilha.

Poderá ser por aqui que a desejada elevação do estatuto turístico da Região aconteça. Não necessariamente com mais turistas, mas com maior rendimento, maior poder de compra, mais qualidade e mais prestígio. Tudo isto sem desprimor para ninguém, antes como complemento a uma nova oferta turística, mais exclusiva e claramente mais aliciante do ponto de vista económico.

É inevitável que o turismo venha a estagnar. Os mais recentes indicadores estatísticos já o demonstram. Perante este cenário, torna-se obrigatória uma estratégia clara e investimento em novas soluções que reforcem a atratividade do destino. Neste contexto, Machico poderá assumir-se como uma nova “capitania” não para a colonização, mas para a afirmação do legado turístico da Região. Uma capitania capaz de atrair um novo tipo de turista, que procura tudo o que a Madeira já oferece, acrescido de golfe, sustentabilidade e excelência, mas que sente falta de algo que a Região ainda não dispõe de forma estruturada.

Ao nível local, procura-se renovar a cidade com foco na mobilidade, devolvendo mais espaço público às pessoas, criando soluções de estacionamento periférico, protegendo a cidade dos efeitos das alterações climáticas, criando novos jardins e promovendo atividades ao ar livre. Sem esquecer a habitação, os serviços e a criação de condições para aqui se viver e visitar, com qualidade.

Mas este caminho não pode ser feito isoladamente. Para que Machico se afirme verdadeiramente como esta nova capitania, o esforço terá de ser simultaneamente local e regional. Não um esforço político, mas estratégico. Um compromisso para o reforço da nossa economia e para um futuro que, embora pareça distante, está muito mais próximo do que julgamos.