Entre a sorte e a estratégia: liderar Portugal com competência e visão
Presentemente vivemos dias que nos obrigam a refletir com serenidade e sentido de responsabilidade. Um fenómeno natural recente expôs fragilidades na nossa capacidade de coordenação e resposta. Felizmente, a própria natureza foi “benigna” connosco: aquilo que poderia ter-se prolongado e agravado durante semanas acabou por ser mitigado em dias. Mas a sorte não é estratégia. Um país não pode ser governado com base na esperança de que o pior nunca irá acontecer.
O que verificamos foi uma dificuldade evidente na criação e articulação de um verdadeiro centro de comando nacional, capaz de integrar informação, decidir com rapidez, comunicar com clareza e antecipar cenários. Num mundo cada vez mais imprevisível marcado por alterações climáticas, instabilidade geopolítica e crises sucessivas a diferença entre o controlo e o caos reside na preparação. Não apenas na reação, mas sobretudo na prevenção.
Se tivéssemos enfrentado uma ameaça de outra natureza imaginemos, num exercício meramente comparativo, uma agressão externa, quanto tempo resistiríamos? A história recente mostra-nos, por exemplo, no conflito entre a Ucrânia e a Rússia, que a resiliência de um povo depende não só da coragem dos cidadãos, mas da capacidade estratégica das suas lideranças. A coesão, a logística, a clareza de comando e a mobilização eficaz de recursos fazem toda a diferença.
Não se trata de alarmismo. Trata-se de responsabilidade. Um país pequeno como Portugal precisa de ser um exemplo na eficiência, na competência técnica e na cultura de planeamento. Precisamos de estruturas que funcionem antes da crise, e não apenas durante a mesma. Precisamos de líderes que antecipem, que estudem cenários, que formem equipas multidisciplinares e que saibam ouvir os melhores especialistas.
Na antiga Roma, em momentos críticos, escolhiam-se entre os cidadãos aqueles que demonstravam maior competência para liderar. Não era uma questão de ideologia, mas de mérito e de missão. Hoje, mais do que nunca, importa recuperar essa cultura de exigência. Independentemente de ideologia política, seja de direita, de esquerda, centro ou de qualquer outra posição, o interesse nacional deve estar acima de qualquer divisão.
Precisamos elevar o nível dos quadros que nos governam. Não por crítica pessoal, mas por dever coletivo. Governar é planear o improvável, preparar o inesperado e ter a audácia e a capacidade de proteger um futuro comum.
Termino o artigo, afirmando que este texto não constitui qualquer anúncio ou formalização de intenção de ingresso na vida política ativa. É, tão somente, uma reflexão cívica e um contributo para um debate que considero essencial. Porque o país que queremos construir exige mais preparação, mais competência e mais visão. E isso depende de todos nós de forma direta e indireta.