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Madeira

JPP acusa PSD de "submissão centralista" após polémica sobre Subsídio de Mobilidade

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O dirigente do Juntos Pelo Povo (JPP) criticou duramente o que classificou como um dos “maiores ataques centralistas” às populações das Regiões Autónomas, após declarações ocorridas na Assembleia da República sobre o Subsídio de Mobilidade, precisamente no ano em que se assinalam os 50 anos da autonomia.

Recorda que o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, e, no dia seguinte, o primeiro-ministro, evidenciaram uma postura que considera representativa de um “centralismo absolutista e autocrático”, num episódio que diz não ter memória recente na vida política portuguesa.


Hugo Soares, a propósito do Subsídio de Mobilidade, um direito inalienável das populações insulares e não um simples apoio social, desferiu o golpe: “É justo que os vossos, os nossos impostos de portugueses que trabalham, continuem a subsidiar a viagem de pessoas da Madeira e dos Açores para o Continente, que não asseguram o cumprimento das dívidas para com o Estado?”.

Em comunicado, Élvio Sousa considera “vergonhosas as afirmações, de quem se acha dono do Estado para usar a força de um direito constitucional de mobilidade num instrumento de punição política aos 500 mil portugueses a viver nas ilhas, os deputados do PSD, eleitos pela Madeira, vergaram-se ao silêncio cúmplice imposto pelo partido.”

Confessa não ficar surpreso pelas palavras ostracizantes de Hugo Soares, “pois essa mentalidade é dominante em grande parte da classe política residente em Lisboa.”

Afirma ficar, sim, surpreso pelo facto de Pedro Coelho, Paulo Neves e Vânia Jesus terem aceitado, cabisbaixos, essa mordaça centralista do silêncio imposto. “Que vergonha, que indecência. Desde quando, um madeirense é atacado nos seus direitos constitucionais e não reage, por honra e por direito, nem que seja para justificar a procuração que recebeu para defender a Madeira na República?”.

“Desde quando um partido que se diz autonomista e defensor da Madeira aceita ser calado e impedido de falar?”, questiona.

E prossegue: "Na verdade, maior é a injustiça dos culpados quando o justo cala e consente não só a sua integridade, como a do seu povo". 

O dirigente não poupou críticas: "Não resta outra conclusão: os que foram mandados calar não são verdadeiramente autonomistas, pois aceitaram calar uma injustiça sobre o regime autonómico. Foram submissos e cúmplices do sistema centralista, que, dizem, há anos combater. Essa é a verdade".

E defendeu: "Por mais que queiram proclamar aos sete ventos que a “Madeira estará em primeiro lugar”, perante aquele episódio agacharam-se por castigo e por ordem dos injustos. Não foram corajosos, nem zelosos dos direitos insulares". 

Élvio Sousa lembrou: "A Madeira estará em primeiro lugar quando esses senhores, e os demais, exigiram e votarem, preto no branco, sem rodeios nem remendos, que os madeirenses paguem, apenas e somente, 59 e 79 euros". 

O líder do maior partido da oposição pede que "se faça justiça àqueles que não cedem às ordens partidárias, e que não embarcam em estórias de embalar, do género: nós temos o direito de pagar os 79 euros, mas só quando a plataforma tiver em funcionamento pleno, o que pode levar anos".