DNOTICIAS.PT
Artigos

O contencioso

E pronto, aqui está o resultado do tão alimentado, potenciado e mais uma quantidade de mais outros “ados” que me abstenho de acrescentar não vão depois faltar-me caracteres para o resto, do contencioso das autonomias…

Não percebo sequer a surpresa nem muito menos entendo esta revolta relativamente ao discurso esquentado, porque esfalfadamente repetido, dos contribuintes portugueses que tão generosamente permitem a subsistência dos seus pobres conterrâneos ilhéus, sorvedouros de impostos alheios.

A culpa é nossa! Alimentámos um monstro, criámos as condições para a tempestade perfeita, não temos agora do que reclamar pois há muito se devíamos ter largado esta conversa que só soa a sindicalismo.

Posso padecer de alguma falta de “autonomicismo militante”, reconheço. Não sou regionalista, defendo uma outra organização política, com muito menos câmaras municipais, juntas de freguesia e casas do povo. Quanto maior a proximidade, mais se multiplica essa doença do compadrio, da cunha, da fraude e do suborno.

Aqui na Madeira, dividia a região em cinco, dando de barato que o Porto Santo é uma realidade específica e, no Continente, facilmente passaria de trezentas para cento e cinquenta. Mas voltando à vaca fria, que entretanto me perdi…

Mais do que este continuado discurso do anti qualquer coisa e da mão estendida, esplendidamente espelhado no subsídio social de mobilidade, que vim a realizar foi criado há 10 anos (!), devíamos era funcionar numa lógica de embaixada, com uma componente de promoção associada.

Dou-vos um exemplo: - a nossa actuação perante esta catástrofe que assolou o nosso país. Porque não manifestar disponibilidade para suspender algumas obras públicas e enviar pessoas para ajudar na reconstrução? Sugerir que algumas das forças armadas possam sair de cá, temporariamente, para contribuir para a recuperação? Ver se por exemplo a EEM não teria gente com conhecimento para ir para lá e acelerar processos que ainda afectam tanta gente, sem luz em casa?

A Autonomia, tenha ela a graduação que tiver, não pode ser um desígnio regional, mas sim nacional. A Autonomia não pode resumir-se a um quadro reivindicativo, mas sim a uma assunção de custos e benefícios partilhados. A Autonomia não pode ser uma estrada de sentido único mas uma via larga, com caminho de ida e de volta.

A continuidade territorial – porque é disso que se trata e não, conforme foi dito, de um qualquer subsídio – tinha de ser tema nacional! Não andaram, agora mesmo, a discutir a suspensão das portagens? Como é que ninguém pega nisso para explicar as particularidades de se viver rodeado de mar por todo o lado?

Devia ser, como estou cansado de repetir, assegurada a todos os portugueses e não só aos residentes nas ilhas, dando-se assim verdadeiro corpo ao preceito constitucional. E depois temos tudo o resto. Que é tanto!

É mais giro no entanto e dá mais votos continuar a berrar. Manter o conflito e tratar da questão como se de futebol se tratasse, um dérbi onde o contencioso faz parte, sendo que no final a culpa é sempre do árbitro…