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Fact Check Madeira

O CDS nada disse sobre o Subsídio de Mobilidade nesta semana?

Imagem que acompanhou o segundo comunicado do CDS sobre o Subsídio Social de Mobilidade
Imagem que acompanhou o segundo comunicado do CDS sobre o Subsídio Social de Mobilidade, foto CDS/DR

O CDS é acusado de nada fazer, no que respeita ao Subsídio Social de Mobilidade (SSM). Uma ideia que vai sendo difundida em redes sociais. Em concreto, o comentário que está na origem desta verificação foi publicado no Facebook, na caixa de comentários de uma notícia do DIÁRIO datada de 20 de Fevereiro de 2026, intitulada “Chega apresenta voto de protesto contra declarações de Hugo Soares”. Na peça, o DIÁRIO relata que o Chega deu entrada, na Assembleia Legislativa da Madeira, de um voto de protesto na sequência do debate realizado a 18 de Fevereiro na Assembleia da República sobre o SSM. No fio de comentários, a leitora D. Caires escreve: “E o CDS? Nada diz para não perder o tacho….”.

Esta frase contém duas ideias diferentes. A primeira é factual e pode ser verificada: o CDS falou ou não falou, nesta semana, sobre o SSM? A segunda (“para não perder o tacho”) é uma imputação de motivação e intenção política, matéria que, em regra, não é comprovável como facto sem prova directa, como uma admissão explícita. Por isso, a verificação centra-se no que é objectivamente testável: existiram ou não existiram posições públicas do CDS, nesta semana, sobre o Subsídio Social de Mobilidade?

A metodologia usada consistiu em, primeiro, definir o período temporal a que o comentário se refere. Como a notícia do DIÁRIO é de 20 de Fevereiro e remete explicitamente para o debate parlamentar de 18 de Fevereiro, considerou-se como “esta semana”, para efeitos de verificação, a janela entre 18 e 20 de Fevereiro de 2026, incluindo os dias imediatamente posteriores ao debate e votação. Depois, estabeleceu-se um critério simples para decidir se “o CDS disse algo”. Foram contabilizadas como evidência declarações públicas, comunicados, tomadas de posição formais, actos políticos anunciados publicamente e notícias com atribuição clara ao CDS (nacional ou regional) sobre o SSM dentro dessa janela temporal. Em termos de fontes, privilegiaram-se registos jornalísticos com data explícita e citação/atribuição identificável, recorrendo a órgãos nacionais e regionais, de modo a reduzir o risco de depender de uma única redação ou de um único enquadramento.

O que se encontrou contradiz de forma directa a parte factual do comentário (“nada diz”). Em primeiro lugar, há registo público de que o CDS/PP-Madeira se pronunciou sobre o tema no próprio dia 18 de Fevereiro. Vários órgãos de comunicação, com base num comunicado, escreveram: “O CDS Madeira repudia o voto do seu grupo parlamentar na Assembleia da República sobre as propostas de alteração ao subsídio de mobilidade…”. Este ponto é relevante porque mostra que, enquanto estrutura partidária regional, o CDS-Madeira não se limitou a acompanhar o debate. Reagiu publicamente, demarcando-se do sentido de voto do CDS na Assembleia da República.

Em segundo lugar, a 19 de Fevereiro, portanto ainda dentro do mesmo ciclo noticioso imediato ao debate, surge nova evidência de intervenção pública do CDS-Madeira, desta vez através de um acto político, também noticiado com data e justificação. A RTP relata que José Manuel Rodrigues, presidente do CDS-PP/Madeira, cancelou a participação em reuniões dos órgãos nacionais do partido, marcadas para esse dia, “em protesto pela votação do grupo parlamentar contra às alterações ao subsídio de mobilidade”, acrescentando que considerava que essa votação “não respeita os direitos constitucionais dos portugueses das ilhas”.

O DIÁRIO apresentou a mesma informação com detalhes adicionais sobre o cancelamento e o contexto interno do partido. Também o Jornal da Madeira noticiou o cancelamento e a respectiva motivação, reforçando que a decisão foi comunicada publicamente e associada ao SSM.

As notícias foram na sequência de um comunicado enviado às redacções e divulgados nas redes sociais.

Em terceiro lugar, no plano nacional, a semana em causa inclui a própria visibilidade pública da posição do CDS/PP na Assembleia da República, dado que a votação e o alinhamento com o Governo foram noticiados em múltiplos órgãos. A RTP noticiou que a Assembleia da República aprovou, na generalidade, propostas dos parlamentos regionais da Madeira e dos Açores para alterar o SSM e que o processo envolveu divergências, sendo o contexto do voto amplamente reportado.

Em paralelo, a imprensa nacional noticiou que o CDS ficou do lado do Executivo de Luís Montenegro, numa votação em que a oposição impediu as alterações introduzidas pelo Governo no acesso ao SSM, assinalando ainda que já existiam críticas vindas do CDS-Madeira. Este aspecto é importante por uma razão: mesmo que se possa argumentar que votar não é dizer, o comentário em análise afirma “nada diz” de forma absoluta, e os factos demonstram que, além da posição parlamentar noticiada, houve também declarações e iniciativas públicas do CDS-Madeira.

Pode levantar-se uma objecção. O comentário poderá querer significar que o CDS não reagiu especificamente ao voto de protesto do Chega ou às declarações atribuídas a Hugo Soares na notícia do DIÁRIO. Mas isso seria uma formulação diferente. O comentário não diz que o CDS não reagiu a Hugo Soares nem ao voto proposto pelo Chega. Diz, de modo genérico, “o CDS nada diz” sobre o tema do Subsídio de Mobilidade nesta semana. A existência de repúdios, comunicados e actos públicos motivados pelo SSM, reportados entre 18 e 19 de Fevereiro, torna essa formulação incorrecta.

Quanto à expressão “para não perder o tacho”, ela funciona como acusação política e leitura subjetiva de motivações. Sem uma prova directa e específica, essa parte não pode ser tratada como facto verificável. Porém, mesmo ignorando essa componente de intenção e ficando apenas com o núcleo testável (“o CDS nada disse”), os registos públicos encontrados mostram o contrário. Houve intervenção pública do CDS-Madeira e houve enquadramento público da posição do CDS nacional no mesmo período.

Em síntese, concluiu-se que é incorreto afirmar que o CDS “nada disse” nesta semana sobre o Subsídio Social de Mobilidade. Pelo menos a 18 e 19 de Fevereiro de 2026, o CDS-Madeira pronunciou-se e protagonizou acções e declarações publicamente noticiadas em torno do tema. Assim, valíamos o comentário como falso.

"O CDS? Nada diz (sobre o Subsídio Social de Mobilidade) para não perder o tacho…." D. Caires, no facebook do dnoticias.pt, em notícia sobre iniciativa do Chega