Eleições Presidenciais
Realizaram-se recentemente eleições para a Presidência da República Portuguesa dividida em três fases. A primeira com onze candidatos em que os dois mais votados passaram à segunda volta, em que um dos candidatos deveria ter, pelo menos, 50% mais um, dos votos expressos. António José Seguro ficou em primeiro lugar, já largamente distanciado do segundo candidato, André Ventura.
O primeiro defendia a democracia, a tolerância, a igualdade de direitos entre todos os portugueses, a igualdade de oportunidades e a tolerância e o segundo, como toda a gente sabe, defendia a ditadura, chegando mesmo a afirmar que precisávamos de três Salazares, fazendo lembrar outros tempos em que Portugal gastava fortunas na guerra colonial, os portugueses não tinham direito à saúde nem ao ensino superior, porque tudo era bem pago, reinando, portanto a iliteracia e só os que tinham possibilidades financeiras é que podiam estudar, e a mortalidade infantil e jovem era a mais elevada da Europa. A emigração era o destino de grande parte dos portugueses principalmente para a América do Sul e África do Sul e depois para a Europa porque as condições oferecidas em Portugal eram miseráveis. Só havia escolas, fora do Funchal até à quarta classe.
Na Madeira, na primeira volta ganhou o Ventura com um número de votos muito superior ao Seguro. No país ganhou o Seguro com uma boa diferença em relação ao candidato do Chega, mas na segunda volta o António José Seguro, candidato apoiado pelo Partido Socialista, ganhou com dois terços da totalidade dos votos em todo o país e também ganhou na Madeira em 44 das 54 freguesias. O Ventura foi derrotado em toda a linha, apesar de ter ido para a igreja rezar para ganhar, mas “o povo português mandou-lhe um das Caldas”, como disse o Ricardo Araújo Pereira.
A terceira fase refere-se às eleições adiadas por causa dos temporais no continente, reforçando a maioria de Seguro e mantendo o “Terço” do candidato do Chega.
Estranhamos muito, a posição do Presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, em relação à segunda volta das eleições em que disse ser-lhe indiferente um ou outro, ou seja, para ele tanto lhe fazia um presidente moderado, tolerante, democrático ou outro com ideias fascistas e fascizantes. Quem toma uma decisão dessas deveria ser demitido do lugar que ocupa porque não cumpre com aquilo que a constituição prevê. Mas o povo não foi na conversa de Albuquerque e deu a maioria a Seguro. Na Madeira, também venceu a democracia. Foi uma boa lição para o Presidente do Governo madeirense
Em relação à nossa autonomia, o novo Presidente da República terá que nomear um novo Representante da República para a Madeira e outro para os Açores, já que o actual da Madeira disse que por razões que não diria, não aceitaria novo mandato. Embora não concorde com o lugar, que deveria ser extinto, só o pode ser depois de uma revisão constitucional, portanto, agora terá que ser nomeado. Acho que deverá ser escolhido de preferência um madeirense, com formação jurídica e de preferência em fim de carreira e da confiança do Presidente da República. Até agora só tivemos um Representante madeirense e curiosamente ouvi na Antena 1 num programa que dá entre as 11 horas e o meio-dia, ao sábado, um dos seus convidados que disse que não conhecia ninguém na Madeira com capacidade para o cargo, dando assim uma de menoridade do povo madeirense. Essa pessoa é um dos representantes do PPD nesse mesmo programa. Será essa a ideia que esse partido defende, dando preferência a um continental em vez de um madeirense?