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(Certa) imprensa vendida

Certa comunicação social – claramente identificada – tornou-se, hoje, o maior obstáculo às reformas profundas de que Portugal e a Madeira precisam e a mais devota linha de defesa das elites económicas, dos grupos de interesse e dos esquemas de favorecimento que há muito saqueiam o país e a Região, exploram os cidadãos de Bem e perpetuam uma pobreza estrutural que corrói qualquer possibilidade de progresso social. Nada disto aconteceu por acaso, mas é fruto de uma escolha consciente, reiterada e lucrativa, feita por quem decidiu abandonar a verdade para beijar as botas do poder.

Como é claro para qualquer pessoa que tenha o mínimo de pensamento crítico e memória histórica, especialmente nos últimos dez anos, tal comunicação social deixou de ser um pilar da democracia para se transformar num instrumento de manipulação, funcionando como escudo protector de vícios instalados, de compadrios obscenos e de redes que vivem à custa do esforço de quem trabalha. Em vez de escrutinar, normaliza. Em vez de denunciar, silencia. Em vez de informar, fabrica narrativas cuidadosamente alinhadas com os interesses dos seus financiadores e aliados políticos.

Vendida aos partidos do sistema e a determinados grupos económicos, essa certa comunicação social, bem como o rol de ‘comentadeiros’, ‘paineleiros’ e ‘especialistas’ do nada a ela associados, já não se preocupa em reportar com objectividade, narrar com isenção ou informar com rectidão. Muito pelo contrário, o seu principal – e porventura único – objectivo passou a ser condicionar a opinião pública, proteger os donos do regime e atacar ferozmente todos aqueles que ousam desafiar o consenso podre que mantém o país estagnado e dependente.

Essa certa comunicação social – evidentemente prostituída – não erra por ignorância, mas por conveniência. Não mente por lapso, mas por cálculo. Não omite por desconhecimento, mas por estratégia. Não difama por descuido, mas por ordem. E, em tudo o que faz, age como polícia ideológica do regime, perseguindo quem quer mudança real, castigando quem não entre nos jogos podres, apagando quem não a contempla com adjudicações e promovendo quem garante a continuidade do saque ao bolso do cidadão e dos cofres do erário público. Mais que uma vergonha, estamos perante um atentado à verdade e um insulto à inteligência de todos aqueles que recusam andar por cá com palas nos olhos.

Enquanto o povo empobrece, essa imprensa falsa e vendida prospera, alimentando-se da distorção e da mentira, sempre pronta a servir os mesmos senhores que, há décadas, bloqueiam Portugal e a Madeira. Mas, o que parece esquecer é que nenhuma fraude dura para sempre e que o dia da responsabilização se aproxima. Quer gostem ou não – e ao contrário do que esperam e desejam – o país e a Região não continuarão para sempre reféns de certos jornalistas sem coragem e de certas redações sem honra. E, quando esse dia chegar, não haverá contorcionismo que os valha.