Mobilidade não é promessa, é obrigação!!!
O Porto Santo não pode continuar refém de ciclos de promessas, anúncios e remendos. A mobilidade aérea e marítima é demasiado séria para ser tratada como arma política ou expediente de ocasião. É um direito básico da nossa população e uma responsabilidade partilhada que tem sido sucessivamente empurrada de um lado para o outro.
O regresso do barco em fevereiro foi importante. Ninguém o nega. Mas, o que os porto-santenses exigem, e merecem, é estabilidade, previsibilidade e respeito.
Durante demasiado tempo habituámo-nos a discutir sempre as mesmas questões, horários insuficientes, tarifas elevadas, lugares escassos nos períodos críticos, decisões tomadas longe da realidade da ilha. Chega. Chega de debates estéreis. Chega de comunicados triunfalistas. Chega de aproveitamentos políticos à custa das dificuldades de quem precisa de viajar para estudar, trabalhar, tratar da sua saúde ou simplesmente manter laços familiares.
O alargamento do Subsídio Social de Mobilidade aos residentes do Porto Santo foi um avanço relevante, por parte do Governo Regional. Reconhece, que a dupla insularidade não pode ser ignorada. Mas não basta subsidiar bilhetes se continuarmos a ter oferta desajustada à procura. Não basta anunciar apoios se, na prática, as pessoas continuam sem lugar ou confrontadas com horários que não servem a sua vida real.
Defendi, e volto a afirmar, que a solução passa por reforçar seriamente a ligação aérea, sobretudo nos meses de maior pressão, como janeiro. Precisamos de mais voos, com maior capacidade, fora do circuito regional tradicional. Precisamos de um modelo que trate o Porto Santo não como destino sazonal, mas como comunidade permanente.
Enquanto Presidente da Câmara, não me resigno à lógica do “é o que é”. Ao longo dos últimos anos, assumimos responsabilidades, garantimos bolsas de estudo a todos os universitários da ilha, estamos a avançar com propostas concretas como o programa “Regressa Porto Santo”, assegurando viagens para que os nossos jovens não percam o vínculo à sua terra. Fizemos e estamos a fazer a nossa parte.
Mas é preciso mais. É preciso que o Governo da República cumpra plenamente o princípio da continuidade territorial. É preciso que o Governo Regional assegure planeamento e negociação eficaz com os operadores. E é preciso que todos, sem exceção, se sentem à mesma mesa com vontade real de resolver, não de capitalizar.
A mobilidade não pode continuar a ser tema de campanha permanente. É uma questão de justiça territorial. É uma questão de igualdade de oportunidades. É uma questão de respeito por uma população que não pode ser sempre a mais penalizada.
O Porto Santo não pede privilégios. Exige soluções. E exige-as agora.