Dormidas do alojamento local cresceram quase três vezes mais
Aumento de 18,6% no 4.º trimestre comparado com o aumento global do alojamento turístico de 6,7%
A generalidade dos meios de alojamento (alojamento turístico, colónias de férias e pousadas da juventude) da Região Autónoma da Madeira (RAM) "registaram-se 563,1 mil hóspedes e mais de 2,9 milhões de dormidas, correspondendo a aumentos de 8,0% e 6,7%" no 4.º trimestre de 2025 por comparação ao 4.º trimestre de 2024, sendo de destacar o alojamento local, com mais 18,6% nas dormidas, perto de três vezes mais o crescimento global. "No cômputo de 2025, as dormidas e os hóspedes registaram incrementos superiores, de 9,3% e 8,4%, respetivamente", refere hoje a Direção Regional de Estatística da Madeira.
"A estada média na globalidade do alojamento turístico fixou-se em 4,66 noites no 4.º trimestre de 2025, valor aproximado ao do 4.º trimestre de 2024 (4,65 noites). Esta equivalência deve-se sobretudo à compensação entre a diminuição registada no mercado estrangeiro (5,01 noites; -0,7%) e o aumento observado no mercado nacional (3,43 noites; +5,2%). Em 2025, a estada média diminuiu 0,6% face ao ano anterior, uma redução influenciada pela descida da estada média dos residentes no estrangeiro (-1,8%), já que nos residentes em Portugal foi observada uma subida de 10,6%", refere.
Também nesse trimestre de 2025, "o alojamento turístico registou um desempenho superior ao conjunto dos meios de alojamento, concentrando a quase totalidade da atividade turística: 99,7% do total de hóspedes entrados e de dormidas". E acrescenta: "Neste trimestre, as colónias de férias e pousadas da juventude registaram 1 958 hóspedes entrados (0,3% do total; -22,7% que no trimestre homólogo), tendo gerado 7 577 dormidas (0,3%; +2,9%) e uma estada média de 3,45 noites (+24,0% que no 4.º trimestre de 2024). No acumulado de 2025, observou-se um decréscimo no número de hóspedes entrados (-2,3% em relação a 2024) e um aumento no número de dormidas (+2,0% face a 2024). A estada média, por sua vez, apresentou uma variação positiva de 2,6% face ao ano anterior."
Já no alojamento turístico registou, no 4.º trimestre de 2025, "a entrada de 561,1 mil hóspedes, os quais geraram mais de 2,9 milhões de dormidas, traduzindo variações homólogas positivas de 8,1% e 6,7%, respetivamente. De sublinhar que, excluindo o alojamento local com menos de 10 camas, as dormidas no alojamento turístico aumentaram 2,0% relativamente ao 4.º trimestre de 2024, variação superior à registada a nível nacional (+1,9%)", mas isso exclui a grande maioria dos AL's.
Neste trimestre, "o segmento da hotelaria concentrou 68,0% das dormidas (cerca de 2,0 milhões), registando um crescimento homólogo de 2,3%. O alojamento local representou 29,8% do total e aumentou 18,6%, enquanto o turismo no espaço rural, com uma quota de 2,2%, cresceu 3,3%. Analisando por categoria dos estabelecimentos, os maiores incrementos foram observados nos hotéis-apartamentos de 4 estrelas (+17,2%) e nas pousadas e quintas da Madeira (+16,2%)", informa.
Quanto à estada média no conjunto do alojamento turístico esta "manteve-se face ao ano anterior, fixando-se nas 4,66 noites. Os valores mais elevados continuam a ser observados na hotelaria (4,71 noites) e no alojamento local (4,63 noites), enquanto o turismo no espaço rural apresenta a estada mais baixa (3,75 noites). No segmento da hotelaria, destacam-se os hotéis-apartamentos de 5 estrelas, com a estada média mais alta, atingindo as 6,13 noites no período de referência (-3,1% que no 4.º trimestre de 2024), seguida de muito perto pelos aldeamentos turísticos, com 6,00 noites (-2,9% face ao período homólogo)".
Mais dependentes do mercado externo
Diz a DREM que a RAM registou, no 4.º trimestre de 2025, no conjunto dos mercados externos (residentes no estrangeiro), "a entrada de 432,8 mil hóspedes, que originaram mais de 2,4 milhões de dormidas, traduzindo um aumento de 7,7% e de 5,1% face ao mesmo período de 2024, respetivamente", sendo a região que "apresentou, em termos de dormidas, maior dependência dos mercados externos (84,0% do total)", seguida do "Algarve (82,1%) e da Grande Lisboa (79,0%). Em sentido contrário, as dormidas de não residentes apresentaram menor expressão nos totais regionais do Centro e do Alentejo (28,0% e 35,6%, respetivamente)".
Ainda neste trimestre, "entre os quatro principais mercados estrangeiros emissores, apenas o mercado francês registou um decréscimo nas dormidas face ao trimestre homólogo, de -4,6%, com os mercados alemão (+2,6%), britânico (+0,9%) e polaco (+6,7%) a evoluir em sentido contrário. Já o mercado de residentes em Portugal (16,4% do total) apresentou uma variação positiva mais significativa, de 15,2%", importando "salientar que estes cinco principais mercados concentraram mais de metade das dormidas (67,2%) no 4.º trimestre de 2025. No acumulado de 2025, as variações dos dois principais mercados emissores evoluíram em sentidos opostos: a Alemanha registou um crescimento de 0,9%, enquanto o Reino Unido apresentou um decréscimo de 1,2%".
60% das dormidas no Porto Santo são nacionais
Ao nível municipal, "salienta-se que Câmara de Lobos, Ponta do Sol e Santa Cruz foram os municípios que, em termos de dormidas, apresentaram maior dependência dos mercados externos (residentes no estrangeiro), com 90,5%, 90,2% e 89,0%, respetivamente", todos bem acima da capital. "Já o Porto Santo destaca-se por registar a maior percentagem de dormidas de residentes no País, representando 59,5% do total, no 4.º trimestre de 2025", também sem surpresa.
"O município do Funchal evidencia-se por concentrar 59,8% das dormidas da Região, totalizando cerca de 1,7 milhões de dormidas no 4.º trimestre de 2025, o que corresponde a uma variação homóloga positiva de 4,6%. No maior município da RAM, as dormidas de residentes em Portugal cresceram 7,5% e as dos residentes no estrangeiro 4,0%", frisa.
"O segundo município com maior número de dormidas foi Santa Cruz, com 11,6% do total regional, contribuindo com cerca de 336,8 mil dormidas no 4.º trimestre de 2025, o que representa um aumento de 5,7% face ao período homólogo. Neste município, as dormidas de residentes no estrangeiro cresceram 4,0%, enquanto as de residentes em Portugal aumentaram 22,9%".
"Entre os 11 municípios da Região, destaca-se ainda a Ribeira Brava, com um crescimento nas dormidas de 29,1% face ao 4.º trimestre de 2024. Este aumento foi impulsionado por uma subida de 57,5% no mercado de residentes em Portugal e por um acréscimo de 24,1% no mercado de residentes no estrangeiro", confia.
Ocupação de camas cresce ligeiramente
Continuando a análise, "no trimestre em análise, a taxa líquida de ocupação-cama do alojamento turístico na Região foi de 62,6%, correspondendo a um aumento de 0,2 pontos percentuais (p.p.) face ao mesmo período de 2024 (62,4%). Por sua vez, a taxa de ocupação-quarto atingiu os 72,4%, valor ligeiramente superior aos 72,3% registados no 4.º trimestre de 2024. No ano de 2025, estas taxas foram de 68,1% (+1,2 p.p. que em 2024) e 78,0% (+1,6 p.p.), respetivamente".
Ou seja, entre Outubro e Dezembro de 2025, "os proveitos totais e os proveitos de aposento registaram variações homólogas de +11,6% e +13,5%, totalizando 202,4 milhões de euros e 142,4 milhões de euros, respetivamente. No total do ano, os proveitos totais atingiram os 893,7 milhões de euros, dos quais 642,7 milhões de euros corresponderam a proveitos de aposento, representando variações de 17,4% e 18,9%, respetivamente".
ADR quase nos 176 euros
No 4.º trimestre de 2025, importa analisar o RevPAR (rendimento médio por quarto disponível) e o ADR (rendimento médio por quarto ocupado). No primeiro indicador, o conjunto do alojamento turístico (excluindo o alojamento local com menos de 10 camas) "fixou-se em 85,46 euros, traduzindo um aumento de 12,0% face ao período homólogo e constituindo o segundo valor mais elevado entre as nove regiões NUTS II. No sector da hotelaria, o RevPAR atingiu os 92,25 euros (+12,1% de variação homóloga)".
Quanto ao ADR, "os valores foram mais elevados, totalizando os 118,02 euros no conjunto do alojamento turístico (+11,9% que no período homólogo) e os 121,40 euros na hotelaria (+11,9%). Os valores mais elevados do RevPAR e do ADR registaram-se na categoria hotéis de 5 estrelas, com 131,12 euros (+8,4% que no 4.º trimestre de 2024) e 181,13 euros (+13,7%), respetivamente. Na segunda posição, destacaram-se as pousadas e quintas da Madeira, com um RevPAR de 126,92 euros e um ADR de 175,56 euros".
Voltas no golfe cresceram 8,0%
Dois outros indicadores foram avançados. "O Inquérito aos Campos de Golfe indica a realização de 22 848 voltas nos três campos de golfe da RAM, entre outubro e dezembro de 2025 (-3,9% que no período homólogo), tendo esta atividade gerado cerca de 1,2 milhões euros de receitas (+6,0% que no 4.º trimestre de 2024)", diz a DREM. "No cômputo do ano contabilizaram-se 85 312 voltas, tendo-se gerado um rendimento de aproximadamente 4,5 milhões de euros, o que representa variações, face a 2024, de 8,0% e 12,9%, respetivamente. Do total de voltas realizadas, 76,0% foram de não sócios (74,6% em 2024). Quanto ao país de residência habitual dos jogadores, 50,8% das voltas foram realizadas por residentes nos Países Nórdicos, 18,8% por residentes em Portugal, 9,2% na Alemanha e 7,4% por residentes no Reino Unido".
Passageiros em trânsito nos cruzeiros aumentaram 1,8%
O outro vem da parte do turismo vinno do mar. "De acordo com os dados fornecidos pela Administração dos Portos da RAM, no 4.º trimestre deste ano, foram contabilizados 326 270 passageiros em trânsito, nos 147 navios de cruzeiro que atracaram nos portos da RAM", diz a DREM, que conclui: "Se comparado com o mesmo período do ano anterior, realizaram-se menos 8 escalas, com um decréscimo no número de passageiros em trânsito a se fixar nos 1,4%. Contudo, esta quebra não impediu que no cômputo do ano de 2025, a variação face a 2024 tivesse sido positiva, de 1,8%, tendo-se atingido um número recorde de passageiros em trânsito, 729,8 mil."