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Venezuelanos marcharam em Caracas para pedir liberdade para Nicolás Maduro

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Centenas de venezuelanos participaram hoje, em Caracas, na Grande Marcha da Juventude, promovida pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo) exigindo a libertação do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a sua mulher, ambos presos nos EUA.

Recordando o 212.º aniversário da Batalha de La Victoria, em 12 de fevereiro de 1814, uma confrontação decisiva para a independência da Venezuela na qual participaram jovens estudantes, os venezuelanos, afetos ao regime, reuniram-se na Plaza Venezuela (centro-leste) de onde partiram em direção ao Palácio de Miraflores para expressar apoio às autoridades locais e à Presidente Interina, Delcy Rodríguez.

"Nicolás Maduro, o nosso Presidente, e a 'primeira combatente', Cília Flores, vão regressar à Venezuela muito em breve, porque são inocentes das acusações que lhes fazem o império. Não pararemos de exigir que sejam libertados porque os queremos aqui, porque o lugar deles é aqui connosco", disse um manifestante à Agência Lusa, pouco antes de iniciar a caminhada.

Jhany Castillo disse ainda que Nicolás Maduro "é prisioneiro de guerra" dos EUA, mas que "o povo venezuelano é resiliente e determinado, e lutará até vencer".

Com um cartaz, com a foto de Nicolás Maduro e a sua mulher Cília Flores abraçados, e a mensagem "Queremo-vos de volta", Naileé Perez explicou que "a juventude está na rua para mostrar a sua capacidade de luta e valentia, para levantar a voz para exigir a libertação dos dois" líderes.

"Já demonstramos o que somos. Não é a primeira vez que o império tenta, sem sucesso, subjugar-nos e vai fracassar de novo. No passado foi a guerra económica, depois as sanções e agora o sequestro de Maduro e Cília, mas é apenas questão de algum tempo para que sejam obrigados a devolvê-los. Venceremos", disse.

A marcha de simpatizantes do regime teve lugar no mesmo dia em que centenas de estudantes da Universidade Central da Venezuela (UCV) se concentraram na "Praça El Rectorado" para exigir a libertação dos presos políticos, civis e militares, e para pedir celeridade na aprovação da Lei de Amnistia anunciada pela Presidente Interina Delcy Rodríguez.

Os estudantes exibiram cartazes com mensagens "Liberdade para todos", "Amnistia já", "Justiça e liberdade", enquanto gritavam palavras de ordem como "liberdade já".

"Estão a demorar a aprovação da Lei de Amnistia, porque não querem libertar todos os presos políticos e insistem que nem todos merecem ser perdoados, mas foram detidos sem cometer crimes, foram eles, o regime e o sistema judicial que violaram as leis", explicou uma estudante à Lusa.

Magaly Marcano frisou que não haverá reconciliação nem progresso na Venezuela, enquanto existirem presos políticos no país, enquanto o poder for usado para reprimir e subjugar o povo.

"Têm que encerrar todos cárceres onde estão presos políticos, conceder-lhes plena liberdade, sem condições, tanto a civis como a militares. Estamos em rebeldia para que haja justiça. Não podemos falar de paz, nem reconciliação, com gente injustamente detida", explicou.  

Em 3 de janeiro último os Estados Unidos lançaram um ataque contra a Venezuela para capturar Maduro e a mulher e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

Delcy Rodriguez, vice-presidente executiva de Maduro, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.

Maduro e a mulher prestaram breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos declararam-se inocentes. A próxima audiência está marcada para 26 de março pelas 11:00 horas locais de Nova Iorque.  

A 30 de janeiro último, Delcy Rodríguez anunciou uma lei de amnistia geral durante um evento no Tribunal Supremo de Justiça, e a proposta foi enviada à Assembleia Nacional (parlamento) para debate e aprovação, podendo beneficiar centenas de presos políticos.

Da amnistia estariam excluídos os crimes de homicídio, tráfico de drogas, corrupção e violações graves dos direitos humanos.