A Madeira e o Palácio de Belém!
A demagogia não constrói hospitais; não garante a continuidade territorial; não atrai investimento
Os resultados das eleições presidenciais, do passado domingo, representam um momento decisivo para Portugal e, em particular, para nós, Madeirenses e Porto-Santenses.
Portugal disse “não” ao populismo ruidoso que, nos últimos tempos, tentou capturar as nossas instituições com promessas fáceis e soluções simplistas e demagógicas para problemas muitos deles complexos. A democracia portuguesa mostrou maturidade ao recusar o caminho da divisão e da retórica inflamada, e os portugueses de Lá e de Cá escolheram a prudência de quem conhece o Estado por dentro e respeita o equilíbrio entre os seus órgãos de soberania.
O que os portugueses afirmaram nas urnas é particularmente significativo num momento em que assistimos, um pouco por toda a Europa, ao ressurgimento de movimentos que prometem tudo, mas que, na prática, fragilizam as instituições e polarizam as sociedades. Portugal escolheu diferente. Portugal escolheu a estabilidade e disse NÃO ao discurso do “nós contra eles”.
Este ano celebramos os 50 anos da Nossa Autonomia. Os resultados das eleições confirmaram as lições que meio século de autogoverno nos ensinaram: a demagogia não constrói hospitais; não garante a continuidade territorial; não atrai investimento; não redistribui a riqueza gerada; e não cria emprego qualificado e mais oportunidades para Todos.
O que constrói, o que perdura, o que transforma regiões periféricas em territórios de oportunidade é a força institucional, a capacidade negocial baseada em argumentos sólidos e o respeito inabalável pela nossa identidade e pelas nossas especificidades. É esta seriedade que a Madeira sempre procurou na sua relação com a República e é esta seriedade que esperamos e EXIGIMOS de Belém.
Queremos um País que, finalmente, reconheça o nosso contributo histórico para a expansão marítima portuguesa, que valorize a nossa posição geoestratégica no Atlântico, que compreenda e assuma, definitivamente, os custos acrescidos da insularidade e da ultraperiferia. Queremos um Presidente da República e um Governo que interpretem a coesão territorial não como uma concessão, mas como um imperativo constitucional que deve ser respeitado.
A partir do próximo dia 9 de março, António José Seguro, que durante a campanha não falou das Autonomias, tem de ter bem presente que Portugal é mais do que um retângulo “amarrado” a Espanha. Tem regiões autónomas, onde vivem portugueses que esperam que o mais alto magistrado da Nação, não só respeite as autonomias plasmadas na Constituição, mas que, com a sua magistratura de influência, seja um agente ativo do SEU aprofundamento, porque a autonomia conquistada, até hoje, não é aquela com que Todos sonhamos, merecemos e queremos!
O novo ciclo político que se abre, sem selfies, deve ser aproveitado para concretizar reformas estruturais há muito prometidas e adiadas.
Portugal e a Madeira escolheram a estabilidade. Mas estabilidade com AÇÃO para que possamos garantir o aprofundamento dos autogovernos das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.