Prevenir a Violência Pela Igualdade
A promoção da igualdade e dos direitos humanos em contexto escolar assume hoje uma relevância particular num cenário social marcado por crescentes polarizações e discursos extremados. A escola, enquanto reflexo da sociedade em que se insere, sente inevitavelmente a pressão destes extremismos, que dificultam o diálogo sereno e a abordagem equilibrada de temas fundamentais para a convivência democrática.
A sociedade tem vindo a assistir ao fortalecimento de discursos que simplificam realidades complexas, alimentam preconceitos e rejeitam as diferenças. Estas narrativas, muitas vezes amplificadas por redes sociais e debates públicos polarizados, chegam à escola através das crianças e jovens, das famílias e da comunidade envolvente. Neste contexto, a educação para a igualdade e para os direitos humanos torna-se não apenas pertinente, mas necessária como ferramenta de prevenção de todas as formas de violência.
A multiculturalidade, cada vez mais presente nas escolas da Região Autónoma da Madeira, constitui um exemplo claro deste desafio. A diversidade cultural é uma riqueza, mas pode também gerar tensões quando é atravessada por discursos extremistas que promovem exclusão e intolerância entre pessoas. A escola encontra-se, assim, num ponto de equilíbrio delicado, procurando promover o respeito e a convivência, enquanto lida com pressões externas que nem sempre favorecem esse objetivo.
A violência em contexto escolar — seja ela física, verbal, psicológica ou outra — está frequentemente ligada a estereótipos, preconceitos e desequilíbrios de poder que têm origem fora da escola. Promover a igualdade e os direitos humanos permite oferecer às crianças e jovens ferramentas para compreender a diversidade, resolver conflitos de forma pacífica e reconhecer a dignidade humana como valor central, promovendo assim a cidadania.
Trata-se de uma abordagem preventiva, orientada para o desenvolvimento de competências sociais e cívicas essenciais.
A União Europeia reconhece a igualdade como uma prioridade central, reafirmando o compromisso de promover sociedades inclusivas, justas e não discriminatórias. Investir na igualdade não é apenas uma questão ética, mas uma política estratégica para prevenir desigualdades, violência e exclusão social. Neste processo, a colaboração com ONGs com experiência comprovada nestas áreas assume particular importância, contribuindo para práticas pedagógicas informadas e ajustadas à realidade social. No entanto, as associações desenvolvem o seu trabalho num equilíbrio frágil entre missão e sustentabilidade, dependendo de apoios públicos que nem sempre acompanham a urgência do trabalho no terreno.
A escola não está isolada da sociedade, nem pode ser responsabilizada, por si só, pelas tensões que nela se refletem.
Contudo, continua a ser um espaço privilegiado para promover o diálogo, o respeito e a não violência. Num contexto marcado por extremismos e divisões, investir numa educação para a igualdade e para os direitos humanos é investir na coesão social e na construção de uma convivência mais justa e segura para todas as pessoas.