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O Sistema Volta: sem custos para o consumidor?

Eu e a maioria dos leitores fomos transformados em carregadores de garrafas (ou latas) vazias para uma máquina que as destrói para que o material que contêm seja reciclado, ou seja, reaproveitado no ciclo produtivo.

A mensagem que tem sido passada é que para os consumidores não existe nenhum custo adicional em relação à situação anterior, que era pegar na embalagem e colocá-la no caixote de lixo amarelo que existe em quase todos os prédios em que habitamos. A realidade é que não é o mesmo colocar uma garrafa num local no nosso prédio ou termos de nos deslocar a um supermercado com a garrafa para a deixarmos lá, muitas vezes tendo de esperar que alguém com muitas garrafas as coloque na máquina... sem contar com a possibilidade da máquina estar cheia ou encravar, ou resolver só aceitar depois de algumas tentativas ou não aceitar de todo alguma garrafa que nos parece (e às pessoas que estão na fila atrás de nós) perfeita para reciclar.

Não podemos esquecer que tivemos de fazer um depósito e que só voltaremos a ver o nosso dinheiro passado algum tempo. Como facilmente se percebe estes empréstimos grátis ao sistema têm um custo para o consumidor.

Felizmente vivo próximo de uma máquina Volta e posso frequentemente levar as garrafas, mas compreendo que para muitos pode ser um verdadeiro problema o acumular de garrafas em casa.

Às razões acima apontadas para não gostar do sistema Volta juntam-se as apresentadas por alguns autarcas na comunicação social. O problema da sujidade nas cidades provocada pelos catadores de garrafas parece ser o mais importante. Estas pessoas viram no sistema Volta uma oportunidade de negócio, indo procurar nos contentores de lixo as garrafas que podem ser devolvidas e ganhando deste modo dinheiro. Existem descrições de pessoas que conseguem recolher 400 garrafas por dia, o que me parece um exagero, mas a ser verdade ficariam com um rendimento muito próximo do salário mínimo.

Só que este negócio de catar garrafas tem externalidades tanto positivas como negativas. Entre as negativas está a sujidade provocada pelos catadores que tiram os sacos do lixo dos contentores, rasgam-nos e espalham todo seu conteúdo na rua para escolher o que lhes interessa, não colocando de volta o restante lixo no contentor; esta atividade é muito semelhante à de mineração em que o negócio extrai o minério que lhe interessa enquanto cria sujidade que não existia anteriormente. Entre as positivas destaco o bem que é para todos as garrafas não irem parar a algum aterro perdendo-se para a economia circular.

Claro que o sistema Volta ganha com a atividade dos catadores pois são menos garrafas que se perdem e mais facilmente atingem os objetivos a que se propõem, por isso não estranho que tenham proposto colaborar para se resolverem os problemas provocados pelos catadores.

Muitos dos catadores são pessoas que normalmente são apontadas como não querendo trabalhar, só que agora parecem ter encontrado incentivos para o fazer; talvez isto nos sirva de lição para encontrarmos formas de melhor as incluir.