Catarina Martins pede intervenção do PR para afastar ministra da Saúde
A candidata presidencial Catarina Martins defendeu hoje a intervenção do Presidente da República junto do primeiro-ministro para afastar a ministra da Saúde, considerando um erro esperar pela eleição do novo chefe de Estado.
"Se Ana Paula Martins não pede para sair e não quer sair, o melhor é o Presidente da República chamar o primeiro-ministro e dizer que ela tem mesmo de sair e que a política tem de ser outra", sublinhou Catarina Martins.
Em declarações aos jornalistas à chegada à Escola Básica Nuno Gonçalves, em Lisboa, a candidata as eleições presidenciais de 18 de janeiro voltou a destacar os problemas no setor da Saúde, agravados nos últimos dias, após a morte de três pessoas na sequência de atrasos na emergência médica.
Na quinta-feira, Catarina Martins já tinha defendido que a ministra da Saúde deixou, há muito, de ter condições para manter-se no cargo, mas foi hoje perentória ao defender a sua demissão, depois de Ana Paula Martins ter dito ao semanário Expresso que não pediu, nem pedirá para sair.
"Esperar por março para começar a dizer alguma coisa de concreto sobre a saúde e começar a exigir que o Governo dê resposta é um erro. O que é que é preciso já? Demitir a ministra da Saúde, ter uma nova política de saúde e pôr já macas nos hospitais para que as ambulâncias não fiquem lá presas e possam circular", afirmou.
A propósito da aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, anunciada na quinta-feira pelo primeiro-ministro durante o debate quinzenal na Assembleia da República, a candidata a Belém afirmou que Luís Montenegro "devia ter vergonha".
A medida, segundo denunciou hoje o secretário-geral do PS, resulta de uma decisão de 29 de novembro de 2023 do Governo liderado por António Costa, e que o atual líder socialista, José Luís Carneiro, integrava enquanto ministro da Administração Interna.
"Faria melhor o primeiro-ministro, em vez de prometer ambulâncias para o verão, se tivesse já, agora, as macas de que os hospitais precisam", contrapôs Catarina Martins.
Questionada se já teria chamado Montenegro a Belém se fosse Presidente da República, a candidata apoiada pelo BE assegurou que "seguramente não ia ficar à espera de tomar chá numa quinta-feira em março para saber o que é que o primeiro-ministro vai fazer, quando é agora que as pessoas estão a precisar de resposta".
Em resposta também ao apelo para um pacto na Saúde, defendido por António José Seguro, Catarina Martins considerou que a proposta do candidato socialista é, por um lado, abstrata, e já está em curso: "Tem sido destruir o Serviço Nacional de Saúde".
Para a candidata, é preciso defender medidas concretas e aponta, desde logo, a demissão da ministra da Saúde, o reforço das macas nos hospitais, de forma a libertar os veículos de emergência médica, e mudar a política de saúde.
"Porque se continuamos a dizer palavras redondas, à espera de assim agradar a toda a gente, não vamos nunca ter a resposta de que o país precisa. Não contem comigo para o campeonato de não dizer nada para ver se toda a gente gosta. É mesmo preciso mudar a saúde e é para isso que me candidato", acrescentou.