Seguro alerta que voto à sua esquerda "não conta" e pode ajudar a direita
O candidato presidencial António José Seguro alertou hoje que o voto nos candidatos apoiados pelo Livre, PCP e BE "não conta" por ser "meio voto" e ajudar a direita, afirmando-se como o único capaz de derrotar André Ventura.
"Dizem-nos as sondagens que há candidatos que não têm hipóteses de passar à segunda volta. A confirmarem-se essas sondagens, o voto nesses candidatos é um voto que não conta", afirmou hoje o candidato num comício no Museu de Portimão, no distrito de Faro.
Para António José Seguro, o voto em Jorge Pinto, António Filipe ou Catarina Martins "pode contar" para o campo político que a sua candidatura quer combater, "porque acaba por ser meio voto".
"Não ajuda o único candidato que está em condições, no campo político da esquerda e do centro-esquerda, de passar à segunda volta", realçou.
Seguro dramatizou a importância das eleições, considerando que "tem que ficar claro o compromisso dos portugueses com a democracia".
"Há pelo menos um candidato que não pode passar à segunda volta, e o candidato que o pode derrotar na primeira volta somos nós", enfatizou, numa referência implícita ao candidato apoiado pelo Chega e líder do partido, André Ventura, sem citar o seu nome.
No entanto, anteriormente no seu discurso já tinha afirmado que o voto na sua candidatura "não é um voto na aventura, nem em venturas".
No arranque do seu discurso, António José Seguro frisou a importância de se "sentir o sentido de urgência" das eleições presidenciais de 18 de outubro.
"Esta eleição presidencial tem um sentido de urgência, porque é a primeira eleição presidencial que se vai decidir num contexto de grande fragmentação e de grande polarização em Portugal", dizendo que a atual campanha tem dinâmicas julgadas "impensáveis passados 50 anos depois do 25 de Abril".
Para Seguro, são dinâmicas que "tentam sempre conquistar votos não propondo a união dos portugueses, mas fazendo precisamente o contrário", pondo "portugueses contra portugueses".
Assim, o candidato apoiado pelo PS pediu que "não haja ilusões", explicando que, "na segunda volta, só passam os dois candidatos mais votados" e "por isso as pessoas, no momento em que vão votar, no dia 18 de janeiro, têm que pensar qual é a consequência do seu voto".
Prometeu ainda que, caso seja eleito, a sua maioria eleitoral extingue-se "no momento da eleição", pretendendo ser "o Presidente de todos os portugueses".
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde. Caso nenhum deles consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 08 de fevereiro entre os dois mais votados.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.
A campanha eleitoral decorre de 04 a 16 de janeiro.