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Governo da Gronelândia rejeita "pânico" face a ameaças dos EUA e propõe cooperação

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Foto EPA

O primeiro-ministro da Gronelândia defendeu hoje que o território autónomo dinamarquês deve evitar o "pânico" face às ameaças norte-americanas de ocupação, sustentando que estas exigem firmeza e abertura à cooperação. 

"A situação não é tal que os Estados Unidos possam conquistar a Gronelândia. Não é esse o caso. Por isso, não devemos entrar em pânico. Devemos restabelecer a boa cooperação que tínhamos", disse Jens-Frederik Nielsen numa conferência de imprensa em Nuuk, capital da Gronelândia. 

O governo do território "adotará agora uma postura mais firme, porque não estamos satisfeitos com a situação em que nos encontramos", salientou Nielsen. 

O primeiro-ministro da Gronelândia recusou qualquer paralelo entre a situação do territóriodinamarquês e a da Venezuela, cujo líder os Estados Unidos capturaram em Caracas no sábado.  

"O nosso país não é comparável à Venezuela. Somos um país democrático. Temos sido assim há muitos e muitos anos", insistiu. 

A Gronelândia, uma vasta ilha ártica com uma população de 57.000 habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.  

Os Estados Unidos já possuem ali uma base militar e operaram cerca de outras dez durante a Guerra Fria. 

Questionado pela revista The Atlantic sobre as implicações para a Gronelândia do ataque militar norte-americano à Venezuela de sábado passado, Trump afirmou que caberia aos aliados avaliar a situação, reiterando depois que os Estados Unidos "precisam da Gronelândia do ponto de vista da segurança nacional". 

A representante da Gronelândia no Parlamento dinamarquês, Aaja Chemnitz, considerou "essencial estar preparado para todos os cenários", incluindo ameaças externas ou sabotagens a infraestruturas estratégicas. 

A União Europeia (UE) avisou hoje que a Gronelândia não é "um bocado de terra que esteja à venda", após renovadas ameaças dos Estados Unidos sobre o território autónomo da Dinamarca. 

"Estamos em contacto com a Gronelândia e o seu primeiro-ministro, Jens Frederik Nielsen, e garantimos que o território não é um pedaço de terra que esteja à venda", referiu na conferência de imprensa diária a porta-voz do executivo comunitário, Paula Pinho. 

Por seu lado, a porta-voz para a Política Externa Annitta Hipper reiterou que a UE "continuará a defender os princípios de soberania nacional, de integridade territorial e da inviolabilidade das fronteiras". 

"E ainda mais se a integridade territorial de um Estado-Membro da União Europeia for posta em causa", acrescentou. 

Os líderes europeus manifestaram apoio à Dinamarca e à Gronelândia, com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a solidarizar-se com Copenhaga, enquanto a Comissão Europeia apelou ao respeito pelos princípios da soberania e da integridade territorial. 

A tensão intensificou-se após a nomeação, no final de dezembro, de um enviado especial norte-americano para a Gronelândia e depois de uma publicação nas redes sociais associada à Casa Branca sugerir uma futura anexação. 

Segundo uma sondagem divulgada em janeiro de 2025, 85% dos gronelandeses opõem-se à anexação aos Estados Unidos, contra apenas 6% favoráveis.