O país que somos e o país que queremos ser!!!
Há momentos em que o país parece correr mais depressa do que a política consegue acompanhar. As semanas sucedem-se ao ritmo das manchetes, das polémicas e das sondagens. Mas por detrás desse ruído diário existe sempre um país real, feito de pessoas concretas, de territórios com identidade própria e de problemas que não cabem em comunicados nem em debates televisivos.
É a partir desse país real que vale a pena olhar para a política.
No próximo dia 18 de janeiro, os portugueses voltam a ser chamados a escolher o Presidente da República. Uma eleição que não é apenas uma escolha de nomes, mas uma escolha de liderança, de postura institucional e de visão sobre a República.
O Presidente não governa nem administra. Mas representa, escuta, media e dá estabilidade. E, sobretudo, dá sentido à ideia de Estado. É o rosto do país nos momentos de confiança e nos momentos de incerteza. É a referência quando tudo parece fragmentado.
Mas essa representação só faz sentido se for feita com consciência do território. Portugal não é apenas o mapa continental. É também as suas ilhas, o seu interior, as suas comunidades mais isoladas, onde a presença do Estado se mede muitas vezes pela ausência de respostas.
Para quem vive no Porto Santo, a insularidade não é uma abstração. É uma realidade diária. É dupla. Estamos separados do continente e, em vários meses do ano, sem ligação aérea direta a Portugal continental. Esta condição condiciona a economia local, limita oportunidades, dificulta o acesso à saúde, ao ensino e ao trabalho.
Aqui, a mobilidade é mais do que um tema técnico. É um direito de cidadania. É a garantia de que ninguém fica para trás por viver numa ilha pequena no meio do Atlântico.
Num país que se quer coeso, não pode haver portugueses condicionados pela geografia. A coesão territorial não se escreve em discursos. Constrói-se com decisões, com políticas e com compromisso.
É por isso que vale a pena continuar a discutir o país, a política e as instituições. Não apenas nos grandes centros, mas também a partir das margens. Porque a República constrói-se todos os dias. E constrói-se com todos.
Também a partir do Porto Santo.