16 voos afectados pelo vento no primeiro dia do ano no Aeroporto da Madeira
Segundo relatos de alguns passageiros ao DIÁRIO, as salas de embarque estão repletas de turistas que terminaram as suas férias e muitos estudantes madeirenses que tentam regressar ao continente
Até às 15h00 deste primeiro dia de 2026, a instabilidade meteorológica obrigou várias aeronaves a abortar a aterragem em Santa Cruz. Sete voos já foram cancelados e nove divergiram. Porto Santo, Canárias ou Faro tornaram-se os refúgios forçados, enquanto no terminal do Aeroporto da Madeira a incerteza domina o painel de partidas.
O Ano Novo começou com muita frustração para milhares de passageiros que dependem da operacionalidade do Aeroporto da Madeira para aterrar ou até mesmo sair do arquipélago - pista que está, neste dia 1 de Janeiro de 2026, severamente condicionada por rajadas de vento que, na sua máxima força, já ultrapassaram a barreira dos 100 km/h.
Vento forte que forçou, até ao momento, um total de nove aeronaves a divergir para outros aeroportos, deixando em terra milhares de passageiros e provocando um efeito de estrangulamento nas zona de partidas.
Logo à 1h00, com o vento a atingir rajadas na ordem dos 72 km/h, a TAP Air Portugal viu-se obrigada a abortar a primeira ligação do dia. O voo TP1697, proveniente de Lisboa, não conseguiu aterrar e regressou à capital portuguesa, marcando o início de um dia negro para a operacionalidade.
Nas horas seguintes, a situação agravou-se drasticamente. Entre as 4h00 e as 7h00, o IPMA registou uma escalada na intensidade das rajadas: 90, 91, 92 e o pico máximo de 103 km/h. Neste período, o aeroporto esteve tecnicamente fechado a qualquer tentativa de aterragem.
| Hora | Intensidade (km/h) |
|---|---|
| 00h00 | 72km/h |
| 1h00 | 80km/h |
| 2h00 | 83km/h |
| 3h00 | 90km/h |
| 4h00 | 91km/h |
| 5h00 | 92km/h |
| 6h00 | 103km/h |
| 7h00 | 98km/h |
| 8h00 | 86km/h |
| 9h00 | 80km/h |
A meio da manhã, entre as 10h00 e as 11h15, registou-se uma janela de oportunidade, com o vento a cair para os 46 km/h e 62 km/h. Foi o único período de relativa normalidade, onde aterraram voos da Eurowings, easyJet, Edelweiss e as primeiras ligações da manhã da TAP. No entanto, a acalmia foi sol de pouca dura.
Pelas 11h35, com o vento a subir novamente para os 77 km/h, as divergências regressaram em força:
- 11h35: A Condor, vinda de Munique (DE1572), foi a primeira a desistir de Santa Cruz após o agravamento, divergindo para Las Palmas (LPA).
- 11h50: O voo da Transavia proveniente de Paris - Orly (TO7694) seguiu o mesmo caminho, rumando também a Las Palmas (LPA).
- 12h10: Com as rajadas já nos 83 km/h, a easyJet, vinda de Bristol (U22877), optou pela alternativa mais próxima, aterrando no Porto Santo (PXO).
- 12h25: A Condor (DI6506), proveniente de Hamburgo, também não encontrou condições e divergiu para o Porto Santo (PXO).
- 12h45: Duas divergências simultâneas com o vento fixado nos 83 km/h: o voo da Condor vindo de Dusseldorf (DE1414) seguiu para Las Palmas (LPA), enquanto a Ryanair, vinda de Lisboa (FR88), divergiu para o Porto Santo (PXO).
Depois, ao início da tarde veio a divergência mais longa e complexa do dia. Pelas 13h10, o voo da Condor vindo de Leipzig (DI6578), enfrentando rajadas de 76 km/h e o congestionamento nas alternativas habituais, foi forçado a divergir para o Aeroporto de Faro.
A última grande ocorrência deste período aconteceu às 13h50, quando a TAP, no voo TP1689 vindo de Lisboa, tentou aproveitar uma ligeira descida do vento (70 km/h), mas sem sucesso. A aeronave acabou por inverter a marcha e regressar a Lisboa.
Dois aviões desviados devido a vento forte em Santa Cruz
Instabilidade atmosférica condiciona operações aéreas no aeroporto da Madeira
Como consequência directa deste bloqueio nas chegadas, o terminal de partidas viveu uma manhã e início de tarde com acumulação de atrasos.
Sem a aterragem das aeronaves, os voos de regresso não podem ser efectuados, pelo que as partidas para destinos como Paris (Transavia), Frankfurt (Condor) e Dusseldorf (Condor) enfrentam atrasos que já superam as cinco horas, com voos previstos para a hora de almoço a serem empurrados para o final da tarde ou início da noite, dependendo inteiramente de uma eventual melhoria das condições meteorológicas ou do reposicionamento das aeronaves divergidas.
Ora, se a situação nas chegadas foi de desvio, no terminal de partidas o cenário é de uma paragem quase total, com um efeito dominó que se estende por toda a rede europeia. Com nove aeronaves retidas em aeroportos alternativos (Porto Santo, Las Palmas, Lisboa e Faro), os voos de regresso correspondentes ficaram sem equipamento para operar.
O ambiente no aeroporto é, por isso, de exaustão. Segundo relatos de alguns passageiros ao DIÁRIO, as salas de embarque estão repletas de turistas que terminaram as suas férias e muitos estudantes madeirenses que, neste dia 1 de Janeiro, tentavam o regresso ao continente para retomar o ano lectivo. Sem aviões no solo, as "partidas estimadas" nos ecrãs vão sendo sucessivamente adiadas, dependendo de uma melhoria do vento em Santa Cruz.
Sete cancelamentos até ao momento
Para além do elevado número de aviões que foram forçados a divergir para outros aeroportos, a inoperacionalidade do Aeroporto da Madeira já ditou o cancelamento de sete ligações. A TAP Portugal é a companhia mais afectada, com seis dessas operações canceladas, seguida pela Binter Canárias, que viu a ponte aérea com o Porto Santo ser prejudicada pelas rajadas de vento.
No que respeita às chegadas, a TAP viu-se obrigada a anular duas das suas principais ligações vindas de Lisboa: o voo TP 1697, que deveria ter aberto a operação à 1h00 e o voo TP 1689, previsto para as 13h50. Pelo meio, também a ligação inter-ilhas da Binter Canárias, o voo NT 4933 vindo do Porto Santo às 8h55, foi riscada do mapa, impossibilitada de operar devido à turbulência extrema em Santa Cruz.
Este cenário de bloqueio nas chegadas teve um reflexo imediato e inevitável nas partidas, onde quatro voos foram cancelados, deixando centenas de passageiros sem alternativa imediata para sair da ilha. A TAP Portugal cancelou três saídas cruciais para Lisboa: o voo matinal das 4h10 (TP 1696), a ligação das 7h55 (TP 1698) e, já no período da tarde, o voo das 14h40 (TP 1690).
A estes soma-se o cancelamento da partida da Binter rumo ao Porto Santo (NT 4932), que deveria ter descolado às 7h30.
No total, são 16 as operações afectadas, sem contar com a dezena de voos que operam com atrasos significativos.