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Saiu-lhe o tiro pela culatra

Caiu o pano sobre as legislativas na Madeira com a habitual vitória do PSD-M mas nem mesmo a bengala do CDS-M chegou para a previsível maioria absoluta, agora será preciso uma andadeira. Albuquerque lá do alto da sua arrogância, embalado pelas sondagens, foi levado, como de costume, a mentir aos madeirenses, com quantos dentes tem na boca, afirmando que se demitiria se não alcançasse a maioria absoluta. Saiu-lhe o tiro pela culatra, mas Albuquerque, agarrado aos privilégios do poder, não se demitiu porque terá mais uma bengala da inexperiente aprendiz de política do PAN e se não resultar resta o novato da IL, ansiosos por protagonismo político e traírem os madeirenses que votaram neles.

O PS-M foi o grande derrotado deste ato eleitoral porque os madeirenses perceberam que o partido estava a ser comandado à distância e Sérgio Gonçalves pagou caro por isso e porque nunca foi um verdadeiro líder que se desmarcasse da herança deixada por Cafôfo. O efeito Cafôfo desmoronou-se devido aos tiros nos pés, avanços e recuos e foi uma razia que castigou o partido dispersando os seus votos pelos partidos mais pequenos. O sonho que Cafôfo trouxe em 2019 tornou-se em pesadelo em 2023 porque não cumpriu a promessa de se afastar e dar rédea livre à nova direção. O JPP, fruto da boa fiscalização que fez ao Governo regional, obteve um ótimo resultado e poderia ser ainda mais expressivo não fora a briga dos manos de Gaula. O CHEGA conseguiu um resultado, quanto a mim, ilusório pois acredito que daqui por 4 anos, depois dos eleitores perceberem que o seu discurso foi apenas show-off para convencer os incautos descontentes com o sistema, tal como aconteceu com José Manuel Coelho em 2011. O BE capitalizou os votos em Roberto Almada que agora regressa ao Parlamento.

Com a habitual vitória do PSD-M, que se apossou da coutada há 47 anos, passará a 51, no fim da legislatura. Um poder que tudo domina; Governo, Câmaras, Juntas Freguesia, IPSS e tudo o que mexe mas, felizmente, de ano para ano vai perdendo força. Não me lembro de ditadura com tanta longevidade. Os madeirenses, mais uma vez, privilegiaram a arrogância dos donos da Madeira, dos compadrios, dos tachos para os amigos do regime, da corrupção, dos impostos altíssimos e do alto custo de vida, fazendo jus aquela máxima popular, “quanto mais me bates mais gosto de ti”. A simpatia partidária da maioria não se discute, porém todos nós sentimos e pagamos caro os erros desta (des)governação que continua a aumentar a dívida da Madeira no último trimestre em cerca de 198 milhões para festas, subsídios e inaugurações. Sinto-me tentado a propor um monumento à perseverança do povo madeirense por, mesmo na miséria, manterem um governo durante 51 anos consecutivos. Parece que fizeram voto de pobreza aceitando que com papas e bolos se engane os tolos. A Madeira está nas mãos de um poder autocrático que controla a ilha e a mente do povo mas ninguém quer saber disso, nem sequer os 46% de abstencionistas que nem se preocupam a defender as gerações vindouras. Já que ganham sempre os mesmo era desnecessário os atos eleitorais, evitava-se gastar dinheiro dos contribuintes, acabava a verborreia , as mentiras, o mal-dizer, os oportunistas, as difamações e as «facadas nas costas» aos amigos.

Pobre democracia esta onde o povo aceita que os privilegiados tenham cuidados a serviços médicos de excelência e os pobres morram à espera de uma consulta. Pobre democracia que aceita uma vergonhosa descriminação de salários onde um CEO de uma companhia pública ganha milhões e um trabalhador da mesma ganha um ordenado de miséria. Pobre democracia em que os jovens casais não podem constituir família porque não podem construir nem alugar casa, pois o ordenado mal chega para o supermercado. Porque aceitam tudo isto sem questionar?

13 partidos concorreram às eleições mas quantos oportunistas, jovens e menos jovens, tentaram uma oportunidade, não por terem qualquer ideologia de direita, esquerda ou centro ou sequer aptidão para a política, simplesmente aderiram a um partido qualquer na esperança de um “lugarzinho ao sol” que lhes garantisse gozar das mordomias reservadas aos políticos e direito a aparecerem nos jornais e TV. Perguntem a esses aventureiros se têm noção do que é servir a causa pública. Não, não têm! A maioria apenas sabe o que é servir-se dessa nobre causa. Assola-me um sentimento misto de confrangimento e incredulidade quando vejo o povo a agitar bandeiras dos partidos e gritar eufóricos os nomes dos líderes partidários sem pensarem que são esses eleitos que lhes vão tornar a vida amarga com taxas e impostos e com um insuportável custo de vida.