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Cardeal José Tolentino de Mendonça vence Prémio Pessoa 2023

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Foto ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O cardeal José Tolentino de Mendonça venceu o Prémio Pessoa 2023, anunciou hoje o júri, numa conferência de imprensa no Palácio de Seteais, em Sintra.

O Prémio Pessoa é uma iniciativa do semanário Expresso e da Caixa Geral de Depósitos, no valor de 60 mil euros, que "visa reconhecer a atividade de pessoas portuguesas com papel significativo na vida cultural e científica do país".

O júri foi composto por Ana Pinho, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Emílio Rui Vilar, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques, com Francisco Pinto Balsemão a presidir e Paulo Macedo como vice-presidente.

Os membros do júri consideraram que Tolentino de Mendonça é "uma das vozes fundamentais da poesia contemporânea portuguesa e europeia", que, além das suas funções eclesiásticas, se tem destacado "no ensino universitário, no ensaio de reflexão teológica e filosófica e na poesia".

"José Tolentino de Mendonça projeta uma visão do mundo norteada por uma espiritualidade que pretende acolher, compreender e transcender as dilacerações, conflitos e sofrimentos da humanidade", em todos os domínios da sua "notável e diversificada atividade intelectual", afirmou o presidente do júri.

Francisco Pinto Balsemão assinalou ainda que Tolentino de Mendonça "protagoniza uma conceção integradora, unificadora e universal da força espiritual da literatura, que lhe serve de guia desde sempre", que lhe abriu portas à introdução da poesia de Fernando Pessoa e de outros escritores nos Exercícios Espirituais do Retiro de Quaresma do Papa e da Cúria Romana, em fevereiro de 2023.

Na sua vida, "José Tolentino de Mendonça tem-se mantido fiel ao lema contido no título do seu mais recente livro. Tem sido um humilde e generoso 'Peregrino da Esperança'", acrescentou.

José Tolentino de Mendonça nasceu na ilha da Madeira, em 1965, tendo vivido os seus primeiros anos em Angola.

Deixou África aos 9 anos de idade, na altura da independência das antigas colónias portuguesas.

É licenciado em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa (1989) e doutorado em Teologia Bíblica pela mesma instituição (2004).

Depois de uma longa atividade pastoral e eclesiástica, durante a qual ocupou altos cargos no Vaticano, foi nomeado pelo Papa Francisco Prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação.

Iniciou a sua carreira literária em 1990, com a publicação de "Os dias contados", no mesmo ano em que foi ordenado padre na Diocese do Funchal.