Mundo

Activista que ganhou 'Nobel Verde' condenada a dois anos de prisão

None

Uma destacada ativista ambiental vietnamita foi condenada a dois anos de prisão por evasão fiscal, informou hoje a sua organização.

Nguy Thi Khanh, uma ativista conhecida mundialmente pelo seu trabalho neste campo, foi condenada na sexta-feira.

A jovem de 46 anos foi detida em fevereiro e "acusada de evasão fiscal", de acordo com os meios de comunicação social estatais.

A ativista é uma das poucas vozes naquele país comunista a pronunciar-se contra a crescente utilização de centrais elétricas alimentadas a carvão.

A sua organização, GreenID, a mais conhecida do Vietname, convenceu o Governo a retirar 20.000 megawatts de capacidade de carvão do plano energético nacional até 2030.

O seu trabalho valeu-lhe o Prémio Ambiental Goldman de 2018, o 'Nobel Verde'.

"À luz da sua contribuição para a sociedade vietnamita e do seu trabalho, o veredito (...) é demasiado duro", disse a sua organização à agência de notícias France-Presse (AFP).

O diretor do Prémio Ambiental Goldman, Michael Sutton, apelou à sua libertação.

"Acreditamos que as acusações contra ela fazem parte de uma campanha para silenciar os líderes ambientais no Vietname", afirmou Sutton.

Antes da sua detenção, Khanh disse que queria que o Vietname reduzisse os seus ambiciosos planos de mineração de carvão a favor de mais energia renovável.

Numa entrevista à AFP em 2020, reconheceu os riscos envolvidos no seu ativismo.

"Quando obtivemos reconhecimento global, os grupos de interesse identificaram quem era o seu inimigo, e eles são muito poderosos", assinalou.

Mas embora a ativista tenha recebido elogios internacionais, tem sido alvo de campanhas de difamação nos meios de comunicação estatais e na Internet.

O regime comunista não tolera a dissidência e dezenas de ativistas estão na prisão por se manifestarem contra as autoridades.