A Guerra Mundo

Europa Central oferece ajuda a Kiev para travar saída de refugiados

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Os quatro países da Europa Central do grupo Visegrad, os mais afetados pela chegada de refugiados devido à guerra na Ucrânia, defenderam hoje que preferem ajudar Kiev a gerir a crise humanitária do que enfrentar uma nova onda migratória.

"É preferível que os movimentos populacionais ocorram dentro do país e seja concedida ajuda [ao governo de Kiev] para construir as suas próprias capacidades", sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslováquia, Rastislav Kacer, no final da reunião do grupo Visegrad (V4).

Polónia, Hungria, Chéquia e Eslováquia, que formam o V4, foram os que mais receberam refugiados desde o início da invasão russa da Ucrânia, no final de fevereiro.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), pelo menos 4,8 milhões de refugiados da Ucrânia foram registados em toda a Europa, sendo a Polónia o principal destino, com entre 3 e 3,5 milhões, enquanto a República Checa concedeu vistos especiais a mais de 400.000.

Este país, que preside a UE até ao final do ano, é o que tem o maior número 'per capita' de refugiados ucranianos na Europa, algo que tem criado tensões sociais, aproveitadas por formações populistas.

O grupo V4 foi criado em 1991 na cidade húngara de Visegrad, para assegurar a cooperação institucional destes países durante o seu processo de adesão à UE, que seria concretizado em 2004.

Além de discutirem a situação na Ucrânia, os ministros dos Negócios Estrangeiros do V4 também concordaram em abrir o fundo de ajuda de Visegrad para a Moldova.

"Queremos ajudar não apenas a Ucrânia afetada pela guerra, mas também a Moldova", sublinhou o chefe da diplomacia eslovaca, que preside atualmente ao V4.

A Moldova, candidata à adesão à UE, alcançou o estatuto de país candidato este ano.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas -- mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.702 civis mortos e 10.479 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.