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A descoberta da pólvora

Ao folhear o Diário, deparei-me com um artigo de opinião de um senhor de Lisboa, a falar sobre perdas de água na Madeira e a sua redução. Até aqui, tudo bem. Trata-se de um tema atual e cada vez mais relevante numa altura em que as alterações climáticas se têm vindo a intensificar. No entanto, ao ler esse artigo e, repescando um anterior também da sua autoria, em vez de um contributo ou visão fresca sobre o assunto, dou por mim perante a recauchutagem de uma discussão com anos, apresentada aos locais como uma grande novidade! Meu caro Eng.º, o “Titanic” e o “estado de negação” de que fala nos seus artigos só podem ser explicados com o total alheamento da realidade regional. Pelo menos desde 2015 que ouço a Secretária do Ambiente, seja nas suas presenças habituais na Assembleia, seja em entrevistas, seja em peças jornalísticas, seja em variadíssimos eventos, a alertar os municípios para a insustentabilidade dos aumentos constantes da quantidade de água fornecida. Incomoda-me que se ignore todo o esforço e alertas que têm sido feitos e que agora venha espalhar a sua sapiência pelos “indígenas”, como se nós desconhecêssemos o problema e nada fizéssemos para solucionar. Há anos que o Governo Regional pede aos municípios que invistam na reparação das suas redes de água. Dinheiros europeus não faltaram, houvesse real vontade e competência para os utilizar. E agora, que este senhor foi contratado pelas Câmaras do Funchal e Santa Cruz para resolver os problemas para os quais sempre fizeram orelhas moucas, tenta branquear as atitudes irresponsáveis de quem ignorou os avisos, ao fazer da questão das perdas uma novidade? Caro Eng.º, os seus alertas não são novos, conhecemo-los há anos! Fico a aguardar impacientemente pelo seu 3º artigo a ver se as suas soluções também são “inovadoras”, ou se são pura e simplesmente coisas que há anos se falam e que por escolha municipal nunca foram feitas.

Jordão Gomes

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