Dívidas e castrações
O líder do PS-Madeira afirmou recentemente que a dívida da RAM “castrou o nosso dia a dia e o futuro dos madeirenses e portosantenses”. Tem alguma razão pois uma dívida condicionará sempre o devedor enquanto o mesmo não a liquidar. Mas ao contrário do que o PS tem vindo a fazer com a dívida da República, a RAM está a pagar não só juros mas também capital da sua dívida que resultou de investimentos públicos essenciais para a RAM e feitos em tempo oportuno, que jamais seriam possíveis hoje em face das crises que nos assolaram a anterior e a atual. Irrefutável é que o PS foi o ÚNICO partido que na Assembleia da República (AR) votou contra os projetos de lei que suspendem a Lei das Finanças Regionais relativamente aos limites de endividamento da RAM e ao adiamento de 3 prestações do PAEF para permitir ao Governo Regional (GR) fazer frente a necessidades mais imediatas e imperiosas decorrentes da atual crise. E se os deputados do PS-M na AR foram contra a orientação de voto do partido o que se regista, tal não invalida que o PS nomeadamente as suas cúpulas tenham tornado a mostrar toda a sua antipatia revanchista contra a população da RAM pela derrota nas últimas eleições regionais. O que “castrou” o futuro de Portugal e das suas Regiões Autónomas foi a iminência de bancarrota e o brutal nível de endividamento que condicionará gravemente a nossa economia não se sabe até quando, em consequência da governação desastrosa do PS de Sócrates. Também por isso espero que o GR não agrave o endividamento da RAM para além do estritamente necessário e inadiável. É interessante constatar que enquanto Espanha e os seus sucessivos governos independentemente das cores políticas sempre consideraram como mais-valia e trataram em conformidade as suas ultraperiferias, até pela imensa riqueza de território marítimo que acrescentam ao país, em Portugal PS e Governo da República continuam a castrar os nossos direitos como portugueses e cidadãos de uma região ultraperiférica.
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