Coronavírus em Portugal
Percebo que se tente acalmar e sossegar a população mas parece-me a mim que estamos mais uma vez como é nosso apanágio muito à vontadinha
A forma como vamos tratando por cá esta pandemia que assola já grande parte do Planeta não deixa de ser peculiar, mas sintomática do País que somos. Não pretendo por isso ser mais um palpiteiro a esboçar teorias da conspiração ou a retratar fielmente causas e soluções para o problema. Vamos assistindo, por estes dias, aos comentadores portugueses que tanto falam de futebol, como de política e economia, a dissertarem também sobre saúde, dando-nos razões e esmiuçando sabiamente um tema tão complexo. Um dia gostava de ser como eles, de perceber de tudo e de ter a resposta para todas as perguntas. Os especialistas de cadeira vão-se acotovelando e nós vamos continuando sem perceber em que ponto estamos e o que deveremos fazer ou que medidas concretas tomar.
É importante por isso cingirmo-nos aos factos e tentar relatá-los da forma mais objectiva possível para que possamos perceber a dimensão do problema, mas acima de tudo é fundamental refletirmos sobre o que fazer e como se deve comportar o País e as pessoas em relação a este tipo de eventos. Faz falta por isso uma aposta muito mais consistente na comunicação, por parte da Direção Geral de Saúde, que nos elucide mas especialmente aos grupos de maior risco, e que nos expliquem que medidas profiláticas devemos tomar para evitar a contaminação e disseminação quando o vírus aparecer por cá. Há hora a que escrevo já se conhece um caso em Sevilha e por isso já não parece ser uma questão de “se” mas de “quando” será diagnosticado o primeiro caso positivo.
Percebo que se tente acalmar e sossegar a população mas parece-me a mim que estamos mais uma vez como é nosso apanágio muito à vontadinha. Sem qualquer tipo de rastreio nos aeroportos, sem termos a obrigatoriedade da quarentena na nossa legislação, nem qualquer tipo de cuidados adicionais em relação às pessoas que vêm de países com diversos casos gostava de perceber o que estamos de facto a fazer em relação ao assunto e como nos estamos a preparar para o embate. Falta-nos claramente cultura de prevenção e da precaução a montante. Vai-nos valendo a “sorte” de estarmos cá no cantinho e se as coisas boas demoram mais tempo a cá chegar, felizmente as más também. Não podemos contudo fiarmo-nos única e exclusivamente na sorte.Será que faz sentido usarmos máscara na rua? Devemos encher a dispensa e fecharmo-nos em casa até isto passar? Gostava que fossemos informados pelas nossas autoridades e por quem nos governa em vez de nos chegar a informação através das instâncias internacionais.
Chegámos ao cumulo de ver esta semana, numa televisão portuguesa, dois antigos diretores gerais da saúde portugueses criticar um alto dirigente da Organização Mundial da Saúde por usar uma máscara numa conferência de imprensa, acusando-o de alarmismo excessivo. Por cá parece que está tudo na boa e que estamos a salvo de qualquer problema. Embora já se fale de uma vacina inovadora que pode vir a estar disponível no mercado em Abril há uma coisa que todo este caso nos deve ensinar para o futuro. A termos cada vez mais cuidados com a higiene. Cuidado onde colocamos as mãos em sítios públicos, nomeadamente corrimões e portas , a forma como espirramos para cima de outros ou como tossimos sem preocupação alguma pelas pessoas que passam e que muitas vezes habitam a mesma casa que nós. Basta ver o programa “Pesadelo na Cozinha” da TVI para constatarmos a nojeira e a falta de higiene que muitos têm e a forma como se borrifam completamente para os outros.
Já que por cá ninguém nos diz nada, fica aqui uma sugestão que está a ser divulgada em todos os meios de comunicação japoneses por médicos especializados. Para fazermos um primeiro rastreio a nós próprios devemos todos os dias quando acordamos inspirarmos fundo e aguentarmos a respiração durante 10 segundos. Se conseguir completar esta tarefa com sucesso, sem tossir e sem sentir qualquer desconforto ou aperto isso significa que não existe qualquer tipo de fibrose nos pulmões, o que basicamente indica que não existe qualquer infecção. Não quer dizer que se sentir alguma coisa isso signifique coronavírus e não uma simples gripe qualquer, de qualquer forma nada como ir testando todos os dias, lavando as mãos e tomar cuidados com os espaços públicos. Ao contrário da Associação de Turismo Chinesa em Portugal que em plena crise quer atrair para cá um milhão de chineses eu acho que mais vale prevenir que remediar...