Esclarecimento

Relativamente ao artigo publicado no vosso matutino, no dia 20 de março de 2019, intitulado “Afinal já havia outro Museu das Levadas”, a Associação da Levada de Santa Luzia, com sede na Rua 31 de Janeiro 15 B, vem esclarecer o seguinte:

Já em 1493, existem fontes escritas que relatam a existência de uma associação de regantes (heréus) que tinha a seu cargo a irrigação dos canaviais de cana-de-açúcar, situados onde é hoje o centro do Funchal (Campo do Duque). No entanto, essa associação só foi formalizada oficialmente a 22 de fevereiro de 1515, por alvará régio do Rei D. Manuel I, o que torna esta associação uma das mais antigas de Portugal e fazendo parte dum reduzidíssimo e exclusivo número de corporações medievais que ainda perduram na Europa.

Depois de vários séculos a distribuir água-de-rega na zona central e oriental da cidade do Funchal, e tendo em atenção a sua antiguidade e ilustres pergaminhos, no ano de 1876, o Presidente da Comissão Administrativa da Levada de Santa Luzia, o morgado Pedro José de Ornelas, defendeu numa reunião da direção, que a associação deveria ter um espaço, onde explicasse “à atual geração a gesta da água”. Mais tarde, no início do século XX, o ilustre Eng. Adriano Augusto Trigo, membro desta comissão e coautor do famosa obra, “Saneamento da Cidade do Funchal – Águas”, defendeu igualmente, que deveria ser dado a conhecer ao público, todo o acervo histórico desta associação de heréus. Logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, o na altura Presidente da Comissão, Dr. César Figueira César, numa reunião de direção, fez lavrar em ata que a região deveria ter um Museu dedicado “aos nossos engenhosos canais de irrigação, que são tão importantes e vitais para a nossa terra como são as veias no ser humano”.

E foi no seguimento destes reptos que a atual direção decidiu criar um pequeno espaço museológico num prédio que adquiriu recentemente na Rua dos Ferreiros, que inicialmente seria denominado “Museu da Levada de Santa Luzia”. Contudo, como compartilhamos um andar na Rua 31 de Janeiro, com a Associação da Levada dos Piornais e Levada Nova do Curral e Castelejo, igualmente veneráveis instituições de heréus, achamos que seria redutor e discriminatório excluirmos estas levadas e outras mais que existem na região, e assim retiramos “de Santa Luzia” ao nome inicial”, pois o nosso objetivo é abarcar e contar com a colaboração de todas as associações de regantes da região, e assim honrar, mostrar e divulgar estas formidáveis obras de engenharia, a nós legadas, graças ao trabalho hercúleo dos nossos antepassados.

Assim e pelo exposto, não “copiamos” não “plagiamos” nem “roubamos” a IDEIA a ninguém, pelo simples fato, que esse nobre desígnio e propósito já vem trilhando os seus caminhos desde o século XIX, num tempo, em que o alegado “inventor” do conceito “Museu das Levadas da Madeira” ainda não tinha existência física e os seus irrequietos átomos ainda andavam por aí desencontrados e ao deus-dará.

Gil da Silva Canha

(Vice-presidente e Tesoureiro da A.L.S.L.)