“Risco de rotura, não por causa da greve, mas por capricho dos patrões”
O Bloco deslocou-se, este domingo (25 de Novembro) ao porto do Caniçal, onde abordou a questão da greve dos estivadores.
“Têm surgido notícias falsas, alarme sobre rotura de abastecimentos e a culpar os estivadores e a greve.
Ainda não houve rotura. É uma chantagem sobre os trabalhadores, para condicionar a opinião pública contra estes trabalhadores que só querem ser respeitados, que se cumpra a Lei, um contrato de trabalho justo e salário digno”, afirmou Paulino Ascenção.
O coordenador do BE Madeira reconheceu que há, sim, “risco de rotura, não por causa da greve, mas por capricho dos patrões. Usam todo o poder que dispõem – e é imenso – para defender os seus próprios interesses”.
“O monopólio tem toda a cadeia de abastecimento nas mãos – os navios porta contentores, a concessão do porto, a empresa do trabalho portuário, transitários, empresas de camionagem, a produção da electricidade do fornecimento de gás. Negócios protegidos, onde não há concorrência. O monopólio pode parar a Madeira e vai dizer que a culpa é dos estivadores. Este o grande perigo, o imenso poder nas mãos de um grupo privado, não são os estivadores”, defendeu, deixando ainda críticas ao Governo Regional, a quem chama de “agachado” e “submisso”.
“O PSD prometeu acabar com o privilégio no porto, mas nada. Tem medo. A sua covardia política mede-se pela gritaria e insultos contra Lisboa, só servem para esconder a sua incapacidade”, reiterou.
A ‘farpa’ foi extensível ao Partido Socialista enquanto principal partido da oposição. “O PS que quer ser mudança diga; se quer comprometer-se em fazer respeitar a Lei e defender o interesse geral ou quer continuar a alimentar o monopólio”, desafiou o bloquista.