Indústria papeleira quer aliar eficácia e boa gestão na produção de eucalipto

06 Set 2018 / 05:15 H.

A CELPA - Associação da Indústria Papeleira - defendeu hoje o “aumento da produtividade do eucalipto, aliado a boas práticas de gestão”, tendo afirmado que “as atuais restrições ao aumento dos povoamentos obrigam a um aumento da eficácia”.

Em declarações à agência Lusa, à margem da apresentação do “Projeto Melhor Eucalipto” que hoje decorreu em Valada do Ribatejo, Santarém, o diretor-geral da CELPA, Carlos Vieira, disse que “a restrição ao aumento de novas áreas de plantação é preocupante” para um setor que regista “escassez de matéria prima”, frisando a “necessidade da importação anual de dois milhões de metros cúbicos de madeira, cerca de 200 milhões de euros anuais”, de diversos países da América do Sul.

“A importação e a escassez de matéria prima decorre desde há cerca de uma década e era dinheiro que podia ficar em Portugal, mas, se há falta de área disponível para mais povoamento de eucalipto, importa que possamos produzir mais metros cúbicos por hectare, e por cada ano”, disse Carlos Vieira.

Nesse sentido, a CELPA está a desenvolver o “Projeto Melhor Eucalipto”, que pretende promover as boas práticas de gestão florestal de eucaliptais junto dos produtores nacionais.

Segundo o responsável, é “necessário aliar a produtividade à boa gestão, e que ajude também a uma maior resiliência contra os incêndios”, tendo feito notar que “o que arde é a biomassa seca, o verdadeiro rastilho que propaga os fogos”.

Além de dar conta dos resultados deste projeto de transmissão de boas práticas florestais, orçado em cerca de meio milhão de euros e que conta até este mês com um apoio do Plano de Desenvolvimento Regional (PDR) de 175 mil euros, Carlos Vieira apontou ainda para os objetivos que se pretendem desenvolver no futuro.

“Além de darmos a conhecer, transmitirmos e partilharmos a nossa experiência acumulada de 30 anos no setor e na produção florestal, e em matérias como o conhecimento dos solos, clima, altitude, escolha criteriosa das plantas a utilizar, como se selecionam os nutrientes tendo em conta a carência dos solos, combate às pragas e gestão da biomassa seca, entre outras, chegámos agora a um apeadeiro nesta partilha de um pacote de conhecimento com cerca de 1.200 pessoas em 40 sessões de informação em todo o país”, referiu o gestor.

Segundo Carlos Vieira, o objetivo da promoção do conhecimento e boas práticas, até final do ano, passa pelo investimento das empresas associadas em mais cerca de 810 mil euros e, depois, avançar para um plano de nutrição das plantações, com planos de adubagem em função da idade dos solos, e com as despesas inerentes a serem suportadas pelas empresas associadas da CELPA”, avançou.

A CELPA é constituída pelas maiores empresas nacionais de produção de pasta para papel e cartão, sendo os seus associados responsáveis por 100% da produção nacional de pasta para papel e mais de 85% da produção nacional de papel e cartão.

Responsáveis pela gestão ativa de 199 mil hectares de floresta, os associados das CELPA são responsáveis pela transformação anual de 7,9 milhões de metros cúbicos (m3) de madeira de eucalipto, 0,6 milhões de m3 de pinheiro-bravo e 0,2 milhões de toneladas de papel para reciclar.

Daquelas empresas saem 5% das exportações nacionais de bens (para 120 países), cerca de 2,7 mil milhões de euros, dando emprego a 3.000 trabalhadores diretos e um total de dezenas de milhares de trabalhadores, contando com os indiretos.

Outras Notícias