Alerta na psiquiatria!

08 Jan 2018 / 02:00 H.

Há cerca de dois anos que os problemas no serviço de Psiquiatria, do Serviço Regional de Saúde, se agravaram. Por variadas razões, a maioria dos médicos psiquiatras que garantiam as consultas a milhar e meio de doentes sairam do serviço, deixando estas pessoas sem acesso às consultas de que necessitam, de forma continuada. Desde essa altura que esse milhar e meio de pessoas viram o seu estado de saúde degradar-se por não serem reavaliadas, de forma regular, como têm de ser, dada a complexidade e a gravidade de algumas dessas patologias. Diga-se que uma parte importante destas doenças, do foro psiquiátrico, são doenças crónicas que podem ser controladas, com acompanhamento médico especializado adequado e permanente, e que, sem esse acompanhamento, muitos dos doentes facilmente ‘descompensam’, com consequências imprevisíveis. Não é por acaso que um conhecido médico psiquiatra madeirense, decano desta especialidade e que pode ser considerado “o pai da psiquiatria” na Madeira, lançou, numa entrevista dada ao DIÁRIO, em 2017, um sonoro grito de alerta para a gravidade desta situação. Nessa entrevista, o mesmo especialista, estabelece uma relação direta entre o estado da Psiquiatria e o aumento exponencial do número de tentativas de suicídios, o que demonstra bem a situação gravíssima a que se chegou. Após várias peripécias, com promessas de resolução desta situação pelo meio, a verdade é que nenhum dos três secretários regionais da saúde conseguiu resolver esta grave lacuna. Apesar de ter prometido que esta situação estaria resolvida até este mês de Janeiro, e de ter ‘jurado a pés juntos’, recentemente, que existem, neste momento, seis médicos psiquiatras no SESARAM (?), o secretário da saúde não explica porque é que apenas um desses médicos psiquiatras dá consultas, no serviço de psiquiatria, e assobia para o lado quando confrontado com uma lista de espera, para consultas psiquiátricas, de bem mais de 2000 pessoas, entre novos pacientes e pacientes mais antigos, que esperam e desesperam por uma vaga há mais de ano e meio. Como essas pessoas têm de tomar medicação de forma contínua, apenas vão ao serviço de psiquiatria, ou ao centro de saúde da sua área de residência, buscar as receitas médicas de que necessitam. Contudo, apesar do esforço dos vários profissionais de saúde, a verdade é que a necessária reavaliação de grande parte desses doentes, com o consequente ajustamento da medicação, dificilmente pode ser feita pelo médico do centro de saúde, que não é, nem tem que ser, especialista em psiquiatria. Esta situação não pode continuar. As pessoas que precisam de acompanhamento psiquiátrico permanente não podem estar entregues a si próprias, correndo elevados riscos que colocam, frequentemente, em causa a sua própria vida. É grave, muito grave, o que se está a passar e alguém tem que responder por isto!

Roberto Almada

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