Rússia denuncia ataques aéreos dos EUA contra milícias pró-regime

08 Fev 2018 / 14:34 H.

Responsáveis militares russos referiram hoje que o ataque aéreo dos Estados Unidos no leste da Síria reflete os esforços de Washington em comprometer os esforços de recuperação económica do país em guerra.

O ataque noturno, que segundo fontes militares dos Estados Unidos provocou cerca de 100 mortos, ocorreu quando centenas de atacantes desencadearam um assalto às designadas Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pelos EUA, e que estavam acompanhadas por conselheiros norte-americanos na província de Deir Ezzor, com importantes reservas petrolíferas.

O Ministério da Defesa russo referiu hoje que o ataque aéreo da aviação norte-americana provocou 25 feridos entre os voluntários sírios pró-governamentais. Assinalou ainda que as forças sírias fiéis ao Governo de Damasco não conseguiram coordenar a sua ação com os militares russos antes do início da sua missão.

O incidente “demonstrou uma vez mais que os Estados Unidos mantêm uma presença ilegal na Síria e não para combater o grupo [extremista] Estado Islâmico mas para destruir as infraestruturas económicas sírias”.

Estes combates, considerados dos mais mortíferos entre os dois campos, surgem num momento de crescentes tensões entre Damasco e Washington, com os Estados Unidos a acusaram o regime sírio de ter utilizado armas químicas, que as autoridades sírias já desmentiram.

O regime bombardeia intensamente desde segunda-feira um enclave rebelde perto de Damasco.

De acordo com a organização não-governamental (ONG) Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), com ligações à oposição e que possui uma rede de contactos no terreno, 171 civis foram mortos em quatro dias.

Os ‘raides’ da coligação ocorreram na noite de quarta para quinta-feira na província de Deir Ezzor, onde as forças do regime aliadas a grupos paramilitares e do exército russo, a para das FDS, uma aliança curdo-árabe aliada de Washington, conduzem operações distintas contra os ‘jihadistas’ do Estado Islâmico (EI).

O comando militar norte-americano para o Médio Oriente (Centcom) afirmou que os bombardeamentos aéreos foram a resposta “a um ataque (...) contra o quartel-general das FDS” na quarta-feira, confirmando que conselheiros da coligação se encontravam no local.

Segundo o Centcom, entre 20 a 30 obuses de tanques e artilharia caíram a cerca de 500 metros do quartel-general.

Segundo a OSDH, o ataque que motivou a resposta da coligação destinava-se a capturar um campo petrolífero decisivo e uma instalação de gás perto de Khasham, uma localidade situada a leste do Eufrates, numa zona em grande parte controlada pelas FDS.

A ONG, que se baseia na sua vasta rede no terreno, referiu-se a 45 mortos entre as fileiras das forças pró-regime.

Os ‘media’ oficiais sírios, que denunciaram uma “agressão”, confirmaram que dezenas de pessoas foram mortas na resposta da coligação, sugerindo que as vítimas não eram soldados mas combatentes paramilitares.

A OSDH precisou ainda que os combatentes que desencadearam o ataque contra as FDS pertencem a forças tribais ou a uma milícia xiita afegã leal ao Presidente sírio Bashar al-Assad.

O conflito na Síria, iniciado em 2011 e que se complicou com a ingerência de potências estrangeiras e grupos ‘jihadistas’, provocou mais de 340.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.