Relatório da Igreja Católica na Alemanha revela 3.677 abusos sexuais desde 1946

13 Set 2018 / 02:33 H.

Um relatório interno encomendado pela Conferência Episcopal Alemã aponta para a existência de 3.677 casos de abusos sexuais cometidos por 1.670 elementos da Igreja Católica entre 1946 e 2014, segundo a edição online do semanário “Der Spiegel”.

De acordo com o semanário, referindo-se a documentação compilada por especialistas das Universidades de Mannheim, Heidelberg e Giessen, estas situações são um “enorme problema” dentro da Igreja Católica e persistem até hoje.

Aproximadamente metade das vítimas desses abusos tinha menos de 13 anos.

Para dois terços das vítimas, os perpetradores dos abusos eram os seus confessores ou sacerdotes com os quais mantinham algum tipo de vínculo religioso.

O relatório foi encomendado pela Conferência Episcopal e, de acordo com os planos da instituição, as suas conclusões serão apresentadas pelo cardeal Reinhard Marx, em 25 de setembro.

Os especialistas das universidades examinaram cerca de 38.000 registos e material das 27 dioceses alemãs.

A maior parte são registos materiais e internos que até agora não tinham sido revelados e que, de acordo com o “Spiegel”, eram “estritamente confidenciais”.

O relatório revela que há um número indeterminado de situações de abuso que não pode ser investigado porque os registos foram destruídos ou porque não existem provas.

A Conferência Episcopal encomendou o estudo às universidades após o escândalo de abuso sexual que abalou a Igreja Católica alemã em 2010, e que provocou uma crise de credibilidade para o catolicismo alemão.

Em março de 2011, a Igreja Católica ofereceu-se para pagar uma indemnização de 5.000 euros a cada uma das vítimas de abuso sexual, com a possibilidade de aumentar essa quantia para os casos mais graves.

Quase mil vítimas de abuso sexual por representantes da Igreja Católica formalizaram o seu pedido de indemnização pelo abuso sofrido.

A igreja católica e a igreja evangélica são as principais confissões religiosas na Alemanha, com cerca de 24 milhões de fiéis cada uma.

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